Estudo mostra nível elevado de calorias e sódio em alimentos nos EUA.

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Dois estudos publicados nesta segunda-feira na revista JAMA Internal Medicine mostram que, apesar dos apelos da comunidade médica, a qualidade dos alimentos processados e servidos em restaurantes nos Estados Unidos não melhorou nos últimos anos. As pesquisas mostram que a quantidade de sódio e calorias presentes nesse tipo de comida ainda é bastante alta, podendo levar a uma série de problemas de saúde.

O primeiro estudo analisou a quantidade de sal em 480 alimentos processados ou de restaurantes, coletados entre 2005 e 2011. Alguns produtos tiveram redução na substância, como o queijo cheddar fatiado, a sopa de tomate enlatada, o tomate em cubos enlatado, atum e peru fatiados. Outros, no entanto, registraram aumento. As batatas fritas de restaurantes e o queijo usado em pizzas apresentaram teores mais elevados de sódio em 2011 em comparação com 2005, assim como o pão de trigo e os molhos caesar e barbecue.

Ainda segundo o estudo, alguns dos produtos apresentaram aumentos de pelo menos 30% no nível de sódio, mas um número maior apresentou uma redução de também 30%. Segundo os pesquisadores, o resultado comprova que a ausência de qualquer mudança estatisticamente significativa no conteúdo de sódio durante os últimos seis anos.

Em média, os americanos ingerem mais de duas vezes a quantidade diária recomendada de sódio segundo o departamento de agricultura dos Estados Unidos — que varia entre 1.500 e 2.300 miligramas —, e cerca de 80% desse consumo vem do sal adicionado por restaurantes ou na fabricação de alimentos. O alto teor da substância é considerado o principal fator de desenvolvimento de pressão alta, que afeta 90% dos americanos ao longo da vida e está relacionada a doenças cardíacas e acidentes vasculares cerebrais.

Legislação contra o sódio — Alguns estudos já tinham sugerido que reduzir a ingestão de sal poderia salvar até 150.000 vidas ao ano nos Estados Unidos, mas os cientistas se dividiam na hora de opinar se esse corte no consumo da substância deveria partir dos próprios consumidores ou se a indústria alimentícia deveria ser submetida a leis mais rígidas.

No artigo atual, os pesquisadores concluem que a redução voluntária está se mostrando muito lenta para cortar a quantidade de sódio consumida pela população. “A abordagem voluntária fracassou”, disse Stephen Havas, coautor do artigo e professor de Medicina Preventiva da Universidade Northwestern. “O estudo demonstra que a indústria alimentar tem feito corpo mole e adotado muito poucas mudanças. A questão não será resolvida a menos que o governo entre em cena para proteger o público. A quantidade de sódio na nossa oferta de alimentos precisa ser regulamentada.”

A Food and Drugs Administration (FDA), agência que regula os alimentos e os medicamentos nos Estados Unidos, recusou-se a comentar o estudo. A Associação Nacional de Restaurantes dos Estados Unidos informou que o estudo se baseou em amostras de uma quantidade limitada de produtos e não incluiu novas opções disponíveis desde 2005. Portanto, seus resultados não refletem corretamente todas as opções disponíveis. “Os restaurantes fizeram avanços significativos ao desenvolver opções de cardápio com menos sódio”, disse Joy Dubost, diretor de nutrição da Associação.

No Brasil, a situação não é muito melhor do que a americana. Um estudo realizado no ano passado pela Anvisa  identificou alto teor de sódio em grande parte dos alimentos vendidos no país. O  campeão foi o queijo parmesão ralado ralado, que tinha, em média, 1.981 miligramas por 100 gramas do produto

Calorias no cardápio —  Em um segundo publicado na mesma revista, pesquisadores da Universidade Tufts coletaram amostras de 157 pratos disponíveis em 33 restaurantes pequenos na região de Boston, nos Estados Unidos. Usando aparelhos capazes de medir a quantidade de energia presente nos alimentos, eles concluíram que eles continham, em média, dois terços das demandas diárias de calorias — estimada em 2.000. “Em média, as refeições estudadas continham 1.327 calorias, o que excede significativamente as necessidades energéticas estimadas de uma pessoa adulta em uma única refeição”, afirmou Susan Roberts, pesquisadora do Centro de Pesquisas em Nutrição Humana e Envelhecimento da Universidade Tufts e a autora do estudo.

As amostras de comida foram coletadas em restaurantes chineses, italianos, japoneses, tailandeses, americanos, indianos, gregos e vietnamitas.”As refeições em todo tipo de restaurante fornecem substancialmente mais energia do que o necessário para a manutenção do peso”, afirmou Roberts.

A comida italiana continha, em média, maior quantidade de calorias por refeição (1.755), seguida da americana (1.494) e da chinesa (1.474). A comida vietnamita foi a menos calórica (922), seguida da japonesa (1.027).

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: The Energy Content of Restaurant Foods Without Stated Calorie Information

Onde foi divulgada: periódico JAMA Internal Medicine

Quem fez: Lorien E. Urban, Alice H. Lichtenstein, Christine E. Gary, Jamie L. Fierstein, Ashley Equi, Carolyn Kussmaul, Gerard E. Dallal, Susan B. Roberts

Instituição: Universidade Tufts, EUA

Dados de amostragem: 157 amostras de alimentos coletados em 33 restaurantes da região de Boston, no Estados Unidos

Resultado: Cada prato continha, em média 1327 calorias — 66% da necessidade diária. Entre todas as refeições, 7,6% providenciaram mais de 100% das necessidades diárias.

Fonte: http://veja.abril.com.br/noticia/saude

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