Recebimento de orientação sobre consumo de sal, açúcar e gorduras em adultos: um estudo de base nacional.

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A alimentação saudável é amplamente reconhecida como uma importante estratégia para a promoção da saúde. Por isso foi realizado um estudo transversal de base nacional com 12.402 adultos entrevistados em 100 cidades brasileiras.

Diversos estudos evidenciam que a origem para uma alimentação saudável é fundamental para indivíduos livres de doenças, pois poderia diminuir a incidência dos principais fatores de risco de problemas como hipertensão arterial, hipercolesterolemia, diabetes e obesidade.

Quanto a isso, a Política Nacional de Promoção da Saúde prevê acesso universal à informação sobre hábitos saudáveis de vida mediante recomendações, campanhas, programas, mensagens, alertas e monitoramento por parte de profissionais da saúde, da mídia e de professores.

Em sintonia com os propósitos de promoção de saúde, a Política Nacional de Alimentação e Nutrição foi criada para melhorar as condições de nutrição da população brasileira, promovendo, dentre diversas ações adequadas e saudáveis. Para tanto, foi elaborado o Guia Alimentar destinado à População brasileira para a divulgação da alimentação e da adoção de divulgação da alimentação e a adoção de modos de vida saudáveis visando à prevenção e ao controle das doenças crônicas não transmissíveis e das deficiências nutricionais.

As evidências apontam que a população recebe relativamente pouca informação sobre os benefícios de uma alimentação saudável e que são escassos os estudos de base nacional que avaliam a prevalência do recebimento desse tipo de orientação na população brasileira.

E, considerando a recomendação da sexta diretriz do Guia Alimentar da População Brasileira, o estudo em questão teve como foco examinar o recebimento de orientação sobre o consumo de sal, açúcar e gorduras na população brasileira, residente em áreas urbanas.

Sobre a metodologia:

Entre os meses de agosto de 2008 e março de 2009, foi realizado um estudo com delineamento transversal em uma amostra de indivíduos das cinco regiões geopolíticas. O estudo sobre o recebimento de orientação para consumo de pouco sal, açúcar e gorduras integra o projeto “AQUARES, que objetivou avaliar o acesso, a utilização e a qualidade da rede de atenção à saúde no Brasil.

A coleta de dados foi realizada com um questionário eletrônico em Personal Digital Assistant (PDA) por 55 entrevistadores treinados. O controle de qualidade foi realizado por supervisores do trabalho de campo, mediante revisita e aplicação de um questionário reduzido para 5% dos entrevistados. Com a amostra final de 12.402 adultos, a margem de erro para a ingestão de pouco sal, açúcar e gordura por parte de algum profissional durante contato com um serviço de saúde ou por meio da mídia.

Resultados:

Durante o trabalho de campo, foram identificados 13.756 adultos elegíveis para o estudo, sendo entrevistado 12.402, contabilizando 8% (1.101) de perdas e 2% (275) de recusas. Os efeitos delineamento para os diferentes desfechos foram: para ingestão de pouco sal – 1,37, para ingestão de pouco açúcar – 1,65; e para ingestão de pouca gordura – 1,53.

Dos entrevistados, a maioria era do sexo feminino (55%), com idade entre 20 e 39 anos (57%), de cor da pele parda (52,9%), morava com companheiro (64,1%), encontrava-se no nível econômico C (51,5%), nunca havia fumado (63,2%), tinha IMC> 25 kg/m2 (50,5%) e era sedentária (82,5%). Quanto a problemas crônicos de saúde, 16,3% relatou ter diagnóstico médico de hipertensão arterial, 3,6% de diabetes e 17,5% de excesso de peso nos 12 meses anteriores à entrevista.

A orientação mais referida pela amostra foi para ingestão de pouca gordura (38,2%) e pouco sal (36,3%) e açúcar (28,7%).

O perfil de recebimento foi similar entre as diferentes orientações. As maiores prevalências foram observadas em mulheres, indivíduos mais velhos, com companheiro, de nível econômico mais elevado, ex-tabagistas, fisicamente ativos e portadores dos problemas crônicos selecionados – hipertensão arterial, diabetes e excesso de peso.

Conclusão:

Concluiu-se que a orientação é pouco realizada, principalmente para os indivíduos mais jovens, mais pobres e mais saudáveis, configurando uma oportunidade perdida de prevenção à saúde e conscientização da população.

Acredita-se que ao investir em ações visando à melhoria da atenção primária à saúde , particularmente da Estratégia Saúde da Família, será possível melhorar a atenção aos mais pobres, promovendo maior equidade também nas ações de promoção da saúde.

 autor: Silva, S. M.
fonte: www.scielo.br

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