Açúcares, Sal e suplementos: desvendando a ciência – Parte 3.

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Já teve problemas tentando acompanhar os “certos e errados” do consumo de sódio, açúcar, vitaminas e outros suplementos? Você não está sozinho. Neste painel, apresentado pelo Fórum da Escola de Saúde Pública de Harvard e colaboração com o Huffington Post, experts da Harvard explicam as considerações mais recentes sobre nutrição e da dicas de o que os consumidores podem fazer para melhorar suas dietas. O painel também comenta alguns aspectos de políticas americanas que ajudam os cidadãos do país a consumirem refeições mais saudáveis e acessíveis.
Clique na imagem e confira o vídeo, ou acompanhe a transcrição abaixo.

O assunto é suplementos, a área de expertise de JoAnn Manson. Eles mostram outro vídeo, sobre as recomendações de multivitamínicos, em relação à prevenção de câncer e doenças do coração. Para um terço dos americanos, o ato de tomar pílulas e mais pílulas de suplementos e vitaminas é um ritual diário, e os motivos de uso são tão diferentes quanto as pessoas que os usam. Estudos sugerem que, se você estiver tomando os comprimidos para se prevenir dessas duas doenças, você pode não estar recebendo o que pagou. Kirsten Bibbins-Domingo, PhD e professora na Escola de Medicina da UCSF, diz que, se seu objetivo era evitar câncer e doenças do coração, ainda não existiam provas suficientes contra ou a favor de que esses remédios ajudem. Agora, novos estudos revelam que vitamina E e Betacaroteno não fazem nada para prevenir essas doenças; ao contrario, o Betacaroteno na verdade aumenta o risco de câncer de pulmão em fumantes. Os representantes da indústria vitamínica dizem que muitos americanos consomem seus produtos não para a prevenção de doenças, e sim para conseguir os nutrientes que não estão encontrando em suas dietas. O Dr. Duffy McKay, do Conselho de Nutrição Responsável, defende essa prática, dizendo que multivitamínicos conseguem preencher esses vazios e prover todos os nutrientes essenciais de que precisamos. Mas especialistas alertam que as pessoas devem consultar seus médicos para saber quais suplementos elas podem, e se devem, tomar.

Amanda questiona essa afirmação, e JoAnn responde que multivitamínicos nunca serão capazes de substituir os nutrientes que uma pessoa tira de uma dieta balanceada. Na verdade, são poucas as pessoas que realmente precisam tomar esses suplementos; a parcela de pessoas que se beneficiam com seu consumo é muito pequena, seja porque suas dietas são pobres, ou seu corpo não absorve bem as vitaminas, ou que precise de algum tipo específico, como vitamina D. Mas a noção de certeza de que multivitamínicos não ajudam na prevenção de câncer e doenças cardiovasculares é meio errônea, pois existe apena um teste de grande escala, apenas em homens, com multivitamínicos, que são em torno de 20 vitaminas e minerais. Na verdade, encontraram neste teste um valor estatístico de 8% de redução de câncer, e 18% em grupos com idade avançada, de 79 anos para cima. E isso apenas entre os médicos, que possuem uma dieta mais equilibrada. Então o debate ainda está aberto, é grande o interesse em fazer mais testes, especialmente com mulheres e grupos de estudo mais significativos, para descobrir o papel do multivitamínico, nessa prevenção. Outro teste está nos planos, que verificará o efeito dos suplementos em grupos de mulheres e homens, com idades mais avançadas, com a dieta típica americana. Chan pergunta sobre a vitamina D e o cálcio, se é conhecido seu benefício, e a quem ela beneficia. Manson diz que, quando se trata de cálcio e vitamina D, mais não é necessariamente melhor. Existe uma crença de quanto mais dessas vitaminas e suplementos você tomar, mais saudável será, com a mentalidade de que se a dose indicada é boa contra alguns problemas, uma dose maior será boa para todas as doenças crônicas desse século.

Mas não é bem assim, há pouquíssimas evidências que apoiam essa ideia; na verdade, há muito que não se sabe sobre o equilíbrio, os bens e os males, de tomar doses mais altas de suplementos vitamínicos. É importante reforçar que é preciso ter um acompanhamento no uso desses produtos, pois o que se observar é que em quase todos os casos de dosagens exageradas não só não houve benefício, como também tiveram riscos. Então o que aparece no vídeo sobre o betacaroteno aumentar o risco de câncer em fumantes, e a vitamina E estar associado a distúrbios sanguíneos e aumento no risco de câncer de próstata, é que realmente não é certo que tomar doses muito além daquelas de uma dieta balanceada será bom para você e sua saúde. Em relação a suplementos, o conselho de JoAnn é para ter cautela, pois poucos dos produtos que estão no mercado foram bem testados, e os testes que foram feitos mostraram que nem sempre os benefícios superam os riscos. Claro que, se você tem uma dieta deficiente em cálcio, por exemplo, por qualquer motivo, ou se toma algum medicamento que inibe a absorção de alguma vitamina, pode complementar sua alimentação, porém sem exageros. Óleos de peixe, como ômega 3 também entram nessa lista, então ela reforça, procure um nutricionista ou outro profissional qualificado para a prescrição.

O professor Frank Hu sugere que, então para a população mais vulnerável, crianças, ou também vegetarianos, que não consomem produtos animais, o complemento vitamínico seria uma consideração importante. Mais uma vez, JoAnn diz que sim, crianças, grávidas e idosos realmente podem se beneficiar de algumas vitaminas que podem estar faltando em seus organismos, mas que a cautela deve ser constante e que é preciso orientação medica para isso. O professor Dariush Mozaffarian defende os óleos de peixe dizendo que existem testes que comprovam sua eficácia, e que entre todas as opções, eles são os que menos tem consequências quanto a superdosagem, mas Manson rebate dizendo que também tem os muitos outros testes que não comprovam. Se você não come peixe ou gorduras saudáveis, pode até complementar sua ingestão de ômega 3 com capsulas de óleos de peixe, mas existe a possibilidade de não funcionar contra doenças cardiovasculares, provavelmente por causa do uso de outros medicamentos que podem inibir sua ação.

Fonte: http://www.hsph.harvard.edu/nutritionsource/2014/03/24/sugar-salt-and-supplements-sorting-out-the-science/

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