Setor de alimentos investe muito, mas ainda inova pouco.

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A indústria alimentícia brasileira é uma das que mais investem em pesquisa e desenvolvimento, de acordo com dados da Pesquisa de Inovação (Pintec), realizada pelo IBGE. O setor é responsável por 15% do total de empresas avaliadas no levantamento. E a maior parte – 75% – aplica recursos próprios em processos formais de inovação. A prática está presente em quase metade do parque industrial brasileiro: 14 mil das 31 mil indústrias em atividade em 2011 registraram alguma iniciativa na área. Mesmo com esse esforço, os resultados são efetivos em apenas 18% das indústrias. “Diante do potencial de desenvolvimento do setor, o investimento em inovação ainda é baixo, apesar de ter crescido nos últimos anos”, avalia o coordenador técnico da Plataforma de Inovação Tecnológica do Instituto Brasileiro de Tecnologia de Alimentos (Ital), Raul Amaral Rego. Colocar novos produtos nas gôndolas dos supermercados é uma questão de sobrevivência para quem atua no setor. E pode ser a alternativa para aumentar a competitividade e alcançar novos mercados, inclusive externos. Hoje, 80% da produção nacional fica dentro do país. A balança comercial dá pistas do potencial de crescimento da indústria alimentícia brasileira. Nos últimos anos, os alimentos industrializados corresponderam a 18%, em média, das exportações nacionais, de acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria da Alimentação (e a Secretaria de Comércio Exterior. “Investir em novos produtos gera mais competitividade para o empresário, que tem maior margem de lucro. O valor da exportação das commodities é menor do que o do produto industrializado. Muita matéria-prima brasileira sai daqui para voltar nos importados. Precisamos fazer o desenvolvimento das tecnologias de processamento aqui”, observa Rego. O investimento em pesquisa, porém, esbarra no risco da atividade. O empresário precisa estar atento a tendências e disposto a aplicar recursos no desenvolvimento de novas tecnologias, muitas vezes sem prazo definido para resultados ou garantias de sucesso. Superado esse obstáculo, com o novo produto em mãos, é preciso colocar a novidade no mercado, criar estrutura comercial, plano de marketing e vendas, além de organizar a produção, com compra de matéria-prima, embalagem e controle de estoque. E a dificuldade está em prever recursos para as diferentes fases de um novo projeto. Há linhas de financiamento para pesquisa e desenvolvimento, mas que padecem da falta de interesse e preparo das empresas. A burocracia exigida em editais de fomento espanta os concorrentes e as boas ideias empacam na formalização dos projetos. “Além da falta de informação e qualificação para formatar a proposta, a contrapartida da empresa também afasta os candidatos”, explica o coordenador do Instituto Senai de Alimentos e Bebidas, Sandro Bello. Nos editais de inovação do Senai/Sesi, a empresa recebe parte do recurso e precisa aplicar o mesmo montante. Em 2014, serão R$ 27,5 milhões, distribuídos em quatro chamadas. Nas duas primeiras, foram 116 projetos aprovados, apenas nove na área de Alimentos e Bebidas. Novas tendências conduzem mudanças de comportamento do consumidor diante da gôndola deve ser encarada como oportunidade de novos negócios, mas exige investimento. Para Raul Rego, do Ital, instituição de pesquisa no setor com 51 anos de atividade, o esforço precisa ser conjunto. “Ninguém faz nada sozinho. Governo, empresários e instituições de pesquisa precisam trabalhar juntos para ampliar a oferta e atender o consumidor”, diz. O alinhamento também é defendido pelo industrial Rommel Barion, vice-presidente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep). “A pesquisa hoje está limitada a grandes indústrias ou a institutos de pesquisa e universidades”, diz. Uma das ferramentas para estimular a cultura de inovação é o compartilhamento de informações, realizado por organismos de pesquisa ligados ao setor. Além do Ital, financiado pela indústria, os Institutos Senai de Tecnologia (IST) também desenvolvem estudos para identificar tendências de produtos e potenciais mercados. O IST de Toledo está focado na área de alimentos, especialmente aves e suínos. “Alimentos práticos e saudáveis estão na mira dos consumidores. As famílias estão menores e têm menos tempo para preparar a refeição em casa. Buscam por produtos congelados, por exemplo, que também sejam nutritivos e saudáveis. É uma área bem desenvolvida lá fora, com grande potencial no país”, observa Amanda Peregrine Primo, do serviço de tecnologia da inovação do IST de Toledo. Ingredientes Os estudos do Ital também cortam caminho para a indústria. O órgão desenvolve pesquisas temáticas, disponíveis para acesso gratuito. Em 2013, o tema foi as embalagens. Neste ano, o enfoque está nos ingredientes. Novas tecnologias e processos apontam para reformulação de produtos, com redução de sal, açúcar e gordura, inclusive para adequação à legislação federal. “Produtos premium, com maior qualidade na formulação, também têm apelo importante ao consumidor e conseguem concorrer com os importados”, explica Rego. Até 2016, o Ital ainda deve publicar estudos sobre panificação, lácteos, carnes e bebidas.

Fonte: http://www.revista-fi.com

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