LACC3: O trigo engorda e nos faz adoecer? Parte 2.

No post de ontem comentamos sobre a controversa teoria do Dr. W.R. David, contestada por Fred Brouns – palestrante na Conferência LACC3, que irá acontecer no 1º semestre de 2015.

Acompanhe a sequência:

Ao longo dos anos, foram selecionados diferentes tipos de trigos para consumo, levando em conta o rendimento, boa resistência à pragas e patógenos e, às suas propriedades de processamento (para pão, biscoitos, macarrão e, também para o trigo durum, para massas). Não há evidências de que a criação selectiva do trigo resultou em efeitos prejudiciais, seja nas propriedades nutricionais ou nos benefícios para a saúde do grão de trigo ­– com exceção da diluição de outros componentes com o amido (cerca de 80% do peso seco do grão). A seleção levando em consideração o alto teor de proteínas foi destinada para a produção de pães, com varietais geralmente contendo cerca de 1 – 2% a mais de proteína do que as variedades criadas para a alimentação de gado que crescem sob as mesmas condições. No entanto, a diferença genética é menor quando comparamos com o aumento da concentração de proteína na aplicação de fertilizantes à base de nitrogênio durante o desenvolvimento da planta.

Não existem dados concretos sobre os efeitos adversos dos alimentos à base de trigo, que foram processados de maneira habitual (como cozido ou extrusados)­ – não há motivos para aconselhar o público em geral a não consumir este alimento que é base para muitos produtos industrializados. Muito pelo contrário, se a farinha de trigo for consumida em quantidades recomendadas, pode ajudar na redução do risco de diabetes Tipo 2, doenças cardíacas e, também, auxiliar a longo prazo o controle da obesidade.

É preciso observar que os indivíduos que têm predisposição genética para o desenvolvimento de doença celíaca ou, que são sensíveis/alérgicos à proteína do trigo, devem evitar seu consumo, além de outros cereais que contêm proteínas relacionadas ao glúten, incluindo espécies de trigo primitivo (einkorn, emmer, espelta) e variedades, centeio e cevada. É importante que para estes indivíduos, a indústria alimentar desenvolva alimentos diferenciados, com base em culturas que não contenham proteínas relacionadas ao glúten, como teff, amaranto, aveia, quinoa e chia.

Finalmente, é preciso observar que os produtos à base de trigo vem sido produzidos há muitos séculos. Se compararmos ao aumento da obesidade, iremos verificar que historicamente, este assunto é muito mais recente. É só analisar o que vem ocorrendo na população asiática que tem uma dieta, baixa de produtos à base de trigo e, ainda assim, está apresentando problemas com a obesidade.

Com base nestas evidências, podemos concluir que consumo de trigo integral não pode ser vinculado ao aumento da obesidade na população em geral, pelo contrário, continua sendo fonte essecial de proteínas em nossa alimentação.

 

Por: Álvaro Crivellaro – Gerente de Inovação e Tecnologia da Granotec/Granolab

Fonte: Fred J.P.H. Brouns et al. /Journal of Cereal Science 58 (2013) 209 – 215

 

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