Coca-Cola lança suco Del Valle 100% integral.

del-valle

E chega ao mercado mais um lançamento de suco 100% integral! Dessa vez é a Coca-Cola que lança a linha Del Valle composta por 100% de suco de fruta.

Segundo o fabricante, a bebida contém apenas açúcares da fruta e não possui, na composição, corantes e conservantes. Resultado de pesquisas nutricionais ao longo dos últimos anos, a nova linha chega para ampliar a família Del Valle, com a entrada da marca em um novo segmento.

Os sabores de Del Valle 100% Suco são uva e laranja, em embalagens Tetra Pak de 1 litro e de 250ml. As bebidas são fontes de vitamina C, um antioxidante natural que contribui para a proteção das células contra os radicais livres. A vitamina C ajuda na formação normal de colágeno, visando a função normal dos ossos, da cartilagem, das gengivas e pele. Também auxilia o metabolismo energético e na absorção de ferro. A fibra alimentar, presente na bebida, é importante para o funcionamento do intestino.

Os sucos contêm apenas açúcares da própria fruta, como a  frutose, carboidrato (monossacarídeo) natural das frutas. Del Valle 100% Suco de Laranja tem 100 calorias por 200ml e Del Valle 100% Suco de Uva, 147 calorias por 200ml.

 

Fonte: Nutrição Prática e Saudável

Conheça os cinco maiores vilões da alimentação que elevam o colesterol.

shutterstock_115517281

Segundo a Organização Mundial de Saúde(OMS), as doenças cardiovasculares são as principais causas de morte, sendo responsáveis por 30% das mortes no mundo. A base para ocorrência de doenças cardiovasculares é a aterosclerose. A formação da placa de ateroma na parede dosvasos sanguíneos está associada a hipercolesterolemiahipertrigliceridemia, diminuição do HDL-c, hipertensão arterial sistêmicadiabetes mellitus obesidade.

O colesterol do nosso organismo tem duas origens:

Endógena: Em torno de 80% do colesterol é produzido pelo nosso próprio corpo, principalmente pelo fígado.

Exógena: É adquirido através dos alimentos principalmente de origem animal: gema de ovo, leite e derivados, carne bovina, pele de aves e miúdos, frutos do mar.

Apesar de o colesterol alimentar estar relacionado à elevação do colesterol no sangue, os maiores vilões para que isto ocorra são grande ingestão das gorduras trans e gorduras saturadas, menor participação de alimentos fontes de colesterol como o ovo e o camarão.

Ácidos graxos saturados: manteiga, dendê, leite integral, bacon, toucinho, carne bovina gorda, queijos amarelos, creme de leite.

Efeitos negativos à saúde:

•  Aumento da incidência de doença coronariana;

•  Aumento da colesterolemia;

Ácidos graxos trans: são produzidos por meio de hidrogenação, processo que se aplica aos óleos vegetais líquidos à temperatura ambiente, com o objetivo de conferir consistência de semissólida a sólida. A principal fonte de gordura trans na dieta é a gordura vegetal hidrogenada, utilizada industrialmente na produção de biscoitos, bolachas recheadas, empanados tipo nuggets, sorvetes cremosos, tortas e alimentos comercializados em restaurantes fast-food.

Efeitos negativos: Elevam o LDL-Colesterol , a colesterolemia, reduzem o HDL-colesterole grande associação entre consumo de trans e incidência de doença coronariana.

Conheça os 5 maiores vilões que elevam o colesterol sanguíneo:

1. Margarina (fonte de gordura Trans): muita atenção aos produtos industrializadosconfeccionados à base de margarina como nuggets, biscoitos recheados, sorvete cremosos, croissant. São alimentos ricos em gordura trans. A margarina não deve ser utilizada em pães ou preparações, podem ser usados creme vegetal ou queijos magros ou na versão light com redução de gordura.

2. Frituras: batata frita, pastel, salgadinhos. Mesmo utilizando óleo vegetal (canola ou soja) ou azeite, se um alimento for utilizado em elevadas temperaturas ele passa por reações químicas oferecendo perigo à saúde, se tornando um óleo saturado. O ideal é fazer preparações assadas, cozidas e ensopadas. Ainda contém grande quantidade de sódio. Alimentos fritos são ricos em ácidos graxos saturados.

3. Carnes gordas: miúdos, bacon, costela, vísceras (fígado, coração), pernil, pele do frango, embutidos (salsichão, salsicha, mortadela, salame), são ricos em gorduras saturadas. Ao se preparar carnes, deve-se remover a gordura aparente e a pele (aves), pois a gordura penetra no interior da carne durante o preparo. Entre os tipos de preparação, deve-se dar preferência ao grelhado, bem passado, pois a carne mal passada com gordura apresenta as maiores taxas de gordura saturada. Dar preferência aos assados, cozidos, ensopados e grelhados.

4. Queijos “amarelos”: prato, coalho, emental, brie, cheddar, mussarela, parmesão, minas padrão, entre outros. Estão presente em sanduiches e em inúmeras preparações, são alimentos ricos em gorduras saturadas. A crença popular de que queijos de cor branca são adequados à saúde cardiovascular deve ser revista. Queijos minas padrão, requeijão e cream cheese têm alto teor de gordura saturada. Qualquer queijo cujo principal ingrediente seja o leite integral será fonte de gorduras saturadas. Podem ser substituídos por cottage, ricota, requeijão light, minas frescal light (cuidado com o tamanho da fatia), queijo prato light, mas sempre usando com moderação.

5. Leite integral, manteiga e creme de leite:Estes alimentos estão inseridos em muitas preparações: suflês, bolos, molhos cremosos, doces (tortas, pavês), sopas cremosas, empadões, quiches, saladas cremosas. São grandes fontes de gordura saturada e de calorias. Em substituição ao leite integral pode ser usado leite desnatado e em preparações que utilizem creme de leite pode ser usado requeijão light, creme de ricota, requeijão 0% de gordura ou iogurte.

Fonte: http://globoesporte.globo.com

Exposição ao bisfenol A na gravidez aumenta risco de diabetes no filho.

shutterstock_150533705

A exposição durante a gravidez ao bisfenol A (BPA), substância utilizada para a fabricação de garrafas plásticas, por exemplo, pode aumentar o risco de o bebê desenvolver diabetes e doenças cardíacas durante a vida. Segundo um estudo publicado no periódico Endocrinology, a causa desse malefício é o dano oxidativo do produto no organismo.

O stress oxidativo ocorre quando o corpo é exposto a altos níveis de radicais livres, que têm o potencial de prejudicar as células quando elas estão processando oxigênio. “Essa condição está associada ao desenvolvimento de resistência insulínica e inflamação no organismo, o que aumenta o risco de diabetes e outras doenças metabólicas”, afirma Vasantha Padmanabhan, coautora da pesquisa e professora da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos.

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos estima que mais de 96% dos americanos têm BPA no organismo. Estudos já mostraram que o produto interfere na produção e na ação dos hormônios.

Os pesquisadores reconheceram amostras de sangue de 24 grávidas no primeiro trimestre de gravidez para medir os níveis de BPA. As gestantes, então, foram divididas em dois grupos: aquelas que apresentaram baixos níveis de BPA e as que tinham altos níveis da substância. Além disso, os cientistas tiraram amostras de sangue do cordão umbilical dos bebês ao nascerem para mensurar subprodutos químicos causados pelo stress oxidativo.

Os autores constataram que as mães expostas a altos níveis de BPA e os seus filhos apresentavam sinais de stress oxidativo no organismo. “Mais estudos como esse precisam ser feitos para determinar o impacto do BPA no desenvolvimento de doenças”, diz Vasantha.

Fonte: Veja Saúde 

Saiu na mídia: economia do agronegócio de cereais é tema de conferência na LACC3 2015.

saco melhor

Pesquisadores da FIPE, FEA/USP, UFPR e FDC falam sobre a inflação, impostos e custos de produção do setor no Brasil, em evento que ocorre de 29 de março a 1º de abril no ExpoUnimed, em Curitiba.

A economia brasileira cresceu, em média, menos de 2% por ano, em um passado recente, diante desse cenário, as contas públicas têm se deteriorado significativamente. A indústria não tem crescido e o mercado de trabalho mostra sinais de saturação. Mesmo com esta realidade, o setor agrícola e do mercado de alimentos obtiveram resultados muito melhores do que o resto da economia, com taxas médias de crescimento de quase o dobro da média da economia. O setor de agronegócios com cereais se inclui neste contexto, e é tema de discussão da LACC3 – Latin American Cereal Conference Brazil 2015 deste ano, que ocorre entre 29 de março e 1º de abril na ExpoUnimed, em Curitiba.

Pesquisadores das principais universidades e instituições do Brasil foram convidados para apresentar seus conhecimentos na área. “O consenso é de que a política monetária em 2015 deve ser restritiva, para conduzir a inflação para o centro da meta”, afirma André Chagas, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE). “A condução da política monetária deve contribuir para reduzir a pressão sobre os preços dos alimentos, principalmente de produtos manufaturados, e 2015 deve ser um ano de resultados menos otimistas do que os anteriores.”

Para falar sobre a economia geral da alimentação e da nutrição, Denise Cavallini Cyrillo, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP), traçará um panorama da organização de recursos como base da sobrevivência humana. Através de dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), ela explica que houve uma mudança nas causas de mortes dos seres humanos, desde a década de 60. “No Brasil, as doenças não transmissíveis foram responsáveis por 75% de todas as mortes, enquanto no Canadá foi de 89%, e na África Subsaariana, 44%. Segundo a OMS, esta situação é resultado, em grande parte, das transformações socioeconômicas das últimas décadas que levaram a população para um estilo de vida baseado em uma dieta pouco saudável, sedentarismo, tabagismo e uso de álcool exagerado”, explica Denise. “Historicamente, temos visto o surgimento de produtos mais saborosos, mas de qualidade nutricional questionável. A questão é: como podemos contribuir para melhorar a qualidade de alimentação da população brasileira?”

José Roberto Fernandes Canziani, do Departamento de Economia Rural e Extensão da Universidade Federal do Paraná (DERE/UFPR), falará sobre a produção de trigo no Brasil e no mundo, e Maria Sylvia Macchione Saes, da Universidade de São Paulo (USP), sobre transformações no mercado de cereais e suas relações com a indústria alimentícia. Maria Helena Zockun, da FIPE, e Paulo Rezende, da Fundação Dom Cabral, completam a lista de convidados e falarão a respeito dos impostos no mercado de cereais e os custos logísticos dos agronegócios no país.

Fonte: Assessoria de Imprensa LACC3

Novo sal sem sódio é opção para hipertensos brasileiros

study-poor-eat-more-salt-suffer-for-it-130111-660

Quem tem problemas de pressão alta ou está combatendo o inchaço e a retenção de líquidos sabe das dificuldades de evitar alimentos com sal. Mas os dias de comida insossa estão contados. Isso porque a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) registrou e autorizou a comercialização do Bio Salgante, primeiro substituto do sal de cozinha fabricado no Brasil que não contém sódio em sua composição.
O produto é feito à base de cloreto de potássio, a diferença dele para o sal light, presente no mercado há anos, é que este último mescla cloreto de sódio e de potássio.

Segundo a empresa fabricante, o sabor do novo aditivo é muito semelhante ao sal tradicional, tanto que, em testes cegos realizados, pessoas chegaram a confundir os gostos. Mas para que o paladar não fique alterado, é necessário cozinhar os alimentos temperados com o salgante em fogo brando, abaixo de 180 graus Celsius.

A fórmula do Bio Salgante foi criada após uma pesquisa comandada por Massayoshi Yoshida, químico, farmacêutico e professor da Universidade de São Paulo. Depois de pronta, a invenção foi testada pela Unifesp em ratos normotensos (de pressão arterial normal) e hipertensos. Os dois grupos de animais foram submetidos a cerca de uma semana ingerindo sal comum, na proporção indicada à ingestão humana. Depois desse período, todos tiveram aumento de pressão. Quando o salgante foi usado no teste, com os mesmos procedimentos, a pressão arterial dos bichos de ambos os grupos foi mantida.
Apesar de esse novo sal ser mais saudável do que o tradicional, é preciso tomar cuidado com os excessos, já que tanto o cloro quanto o potássio podem ser prejudiciais à saúde se forem ingeridos além da conta.

Fonte: http://guialat.com.br

Entre os mitos, o pão!

shutterstock_1230001

“Não há nada mais positivo do que o pão.” A frase, do escritor russo Fiódor Dostoiévski, faz sentido: o alimento, além de se confundir com nossa história, sempre teve relação com o sagrado, com a partilha. Em cada cultura, ele está presente: seja o chapati indiano, o brioche francês ou o pita árabe. Nos últimos anos, entretanto, o pão foi alçado a uma categoria de vilão, teoricamente responsável por alguns os males de saúde contemporâneos. Nas redes sociais, nos perfis fitness do Instagram, o pão parece ter se transformado em um inimigo. Será o fim da média com pão na chapa?
O que levou o pão – e, mais amplamente, o trigo –, a responsável principal da epidemia de obesidade que vivemos foi a popularização das dietas hiperprotéicas, principalmente, Atkins e Dukan mais recentemente, cuja base é de carnes, ovos e laticínios. A “moda” parece recente, mas não é: desde a segunda metade do século 19, explica a jornalista e pesquisadora do grupo de História de Alimentação da Universidade Federal do Paraná, Sabrina Demozzi, médicos como o inglês William Banting já orientavam seus pacientes para consumir menos carboidratos.
“O que é novo nessa perseguição aos pães e às massas são as celebridades declarando que não comem mais esses alimentos, sempre com o viés da busca por um corpo ideal. A mídia não provoca um debate sobre alimentação, mas foca principalmente nas dietas restritivas”, diz Sabrina. A nutricionista Marina Nogueira, autora do blog “Não Conto Calorias”, corrobora o raciocínio. Entre seus pacientes, surge sempre a ideia de que, para perder peso, é necessário cortar tudo o que se gosta. “Só que, quando tiramos algo essencial da alimentação, como os carboidratos, buscamos uma compensação depois.”

Outro fator para o pão ser colocado na mira é o glúten, mistura de proteínas que se encontram naturalmente no endosperma da semente do trigo, que pode causar alergia ou intolerância (doença celíaca). O avanço do diagnóstico fez com que muitos descobrissem que os desconfortos que sentiam vinham do trigo. No Brasil, sucessos editoriais como o livro Barriga de Trigo (Martins Fontes), do cardiologista norte-americano William Davis, também contribuíram para popularizar o assunto. Assim como o francês Pierre Dukan, que emagreceu a princesa Kate Middleton rapidamente no pré-casamento real e ganhou uma legião de fãs, Davis também conquistou sua parcela de seguidores no país.
Lançado no Brasil em julho de 2013, a obra (que vendeu mais de 70 mil exemplares), parte de uma experiência pessoal do próprio Davis, que corria vários quilômetros por dia, tinha uma dieta baseada em grãos integrais e continuava acima do peso. Ele questiona o porquê de, hoje, fazermos muito mais exercícios físicos e continuarmos com sobrepeso, ou obesos. Para o autor, a culpa de tudo é o trigo.

Ao tirar o grão do cardápio, Davis perdeu peso, melhorou seus exames e percebeu que o mesmo ocorreu com os seus pacientes, que, além dos quilos a menos, resolveram seus problemas intestinais, diminuíram o colesterol e a glicose, e ficaram com a pele e a disposição tinindo.
Segundo a tese do médico, todo esse benefício acontece porque o trigo não é mais o mesmo que os nossos antepassados moíam para fazer o pão – nos últimos 50 anos, as mudanças genéticas “drásticas”, diz ele no livro, mudaram o código genético do grão. A hibridização e os cruzamentos propositais da indústria, elaborados para produzir em larga escala e baratear a produção, o transformaram numa má opção, pois deixaram o trigo com muito menos proteína e mais carboidrato. Isso aumentou o índice glicêmico do grão, relacionado com o nível circulante de açúcar no sangue. Além disso, salienta Davis, a criação de novas linhagens, como o trigo anão (que evitam a envergadura da planta e facilitam a colheita), foram produzidos sem garantia de segurança para os humanos.
A tese de Davis “absolutamente não faz sentido” para a pesquisadora da área de qualidade da Embrapa Trigo, Eliana Guarienti. “Nenhum cruzamento artificial tornou o trigo nocivo, é mera especulação. O que os melhoristas fazem é imitar a natureza, onde também ocorre um cruzamento, mas de forma mais lenta.”, explica ela. A nutricionista Marina Nogueira diz que os estudos usados por Davis no livro são “mal controlados e parciais.”

Excesso

Para a nutricionista funcional especialista em alergias e intolerâncias alimentares Juliana Trevillini, algumas afirmações do autor podem, sim, fazer sentido. O glúten funciona como uma espécie de “cola”, que dá elasticidade à massa. A nutricionista fala que a exposição da pessoa ainda bebê aos alimentos com potencial alergênico alto (como trigo, leite bovino e clara de ovo), vai “machucando” o intestino e as junções intercelulares do órgão, que evitam a permeação das macromoléculas mais alergênicas (ou seja, é o sistema de proteção do intestino).
Logo, o problema não é o pão e o trigo em si – e sim o excesso e o que Juliana define como monotonia alimentar. Essa superexposição faz com que cresça a probabilidade de se desenvolver alergias e intolerâncias.

O segredo, então, não é cortar o pão e o trigo, tampouco “colocar todos os alimentos industrializados na cruz”, acredita Marina Nogueira. Leia os rótulos, prefira os integrais e com poucos aditivos químicos. Juliana também orienta que exista uma rotatividade na alimentação. Ao invés do pão todas as manhãs, é interessante intercalar: fruta com aveia, tapioca, e assim por diante. “Devemos consumir o mínimo de industrializados e preferir uma alimentação íntegra, com muitas frutas e vegetais, o que nutre o organismo e nos ajuda a eliminar toxinas”, ensina a nutricionista. “O trigo não é o mal do século, e você não precisa excluir o trigo se não tem nenhuma doença ou alergia. Nenhum alimento é o principal vilão ou salvador. Tudo é um equilíbrio”, crê Juliana.

Quando foi estudar sobre fermentação para um dos capítulos de Cozinhar – Uma História Natural da Transformação, o autor Michael Pollan pesquisou a fundo o método de diversas padarias artesanais nos Estados Unidos. Chegou ao Tartine Bread do famoso padeiro Chad Robertson. Frustrou-se diversas vezes ao não conseguir a massa perfeita do fermento. Depois de muitas tentativas, teve êxito, e a atividade, segundo ele, é uma das mais “terapêuticas” dentro da cozinha. Afinal, é necessário tempo de espera.

Foi o tempo, ou melhor, a falta dele, que fez o padeiro Oscar Luzardo começar a fazer pão. O uruguaio radicado no Brasil trabalhou por anos em multinacionais. Ficou estressado, descuidou da alimentação, ganhou peso e perdeu saúde. Resolveu deixar o bom emprego, veio ao Brasil com a mulher, Claudine Botelho, e começou fazer pão, pois não gostava da qualidade do que encontrava por aqui. O hobby virou negócio, a La Panoteca, que trabalha no sistema de slow bakery: todos os pães são feitos com fermentação natural e poucos ingredientes. A produção não é em massa, e a casa abre somente quatro horas por dia (das 16h às 20 horas).
A padaria não é só um negócio: Luzardo (que está escrevendo um livro sobre o pão) gosta de estimular os seus clientes – assim como Pollan – a voltarem para a cozinha. “É uma questão de harmonia. Faço os pães que eu como. Ganho menos dinheiro, viajo menos, mas tenho tempo para fazer exercícios, passear, ficar com a minha esposa. E o dinheiro não nos traz isso”, crê ele. No espaço, se leem frases que podem funcionar como mantras: “Aqui, só quem corre é o tempo”. O slow serve para a compra também: quem chega com fome, ganha um pedaço para beliscar, acalmar a fome e consumir de forma consciente. Assim, ninguém compra o desnecessário, e sobra para o vizinho que ainda não comprou o pão.

Em outra esfera, está a tradicional Mercearia Viana. Quem passa pela rua Cruz Machado observa a fila que se forma em frente a padaria centenária, faça chuva ou faça sol. Com exceção do “caseirão”, receita de família feita com fermento de batatinha, os pães não são fermentados lentamente – afinal, são 1,5 mil broas por dia, fora os 5 mil francesinhos. Entretanto, a família Veronese, que cuida do negócio há 47 anos, prioriza os elementos naturais (os pães não têm nenhum aditivo alimentar, ao contrário dos industrializados), e sempre oferece pão quente de hora em hora, e com preços acessíveis.
Administradora da Viana, Thaylline Veronese, 26 anos, foi criada no meio dos pães e balcões de atendimento. Acredita que essa história de que o alimento engorda é um mito. “Muitos pães cabem na dieta. Não é o pão que engorda, é a pessoa”, brinca ela, também a favor do equilíbrio. “Se a pessoa come de uma forma balanceada, não tem problema. Temos que saber lidar com o pão.”

Integral x branco

É um mantra entre os nutricionistas: prefira o trigo integral. Ele preserva o farelo e o gérmen do grão, o que o deixa mais nutritivo. O produto íntegro, hoje procurado por um grande número de pessoas, foi rejeitado por séculos, conforme explica Pollan em seu livro. Até o fim do século 19, a farinha branca era considerada melhor e mais saudável, pois simbolizava a pureza em tempos de disseminação de doenças. O sabor também melhorava: com a farinha branca, o pão ficava mais macio e doce.
As maravilhas só não casavam com a saúde e, com a ampliação dos cilindros de moagem a partir de 1880, as populações que dependiam do pão branco começaram a adoecer. A solução da indústria, conta o autor, foi enriquecer o produto com vitaminas, uma medida simplista que não resolveu totalmente o problema.

O fato é que a farinha branca continua presente, e saborosa, mesmo sendo menos saudável. Entretanto, Pollan nos dá uma luz: até no caso dos pães brancos, os ácidos orgânicos da fermentação lenta parecem desacelerar a absorção dos açúcares da farinha pelo organismo, reduzindo os picos de insulina no sangue quando comemos.
Com fermentação natural ou não, o ponto principal para consumirmos um bom pão é fugir das milhares de variedades empacotadas nos corredores do supermercado, sugere a jornalista e pesquisadora do grupo de História de Alimentação da Universidade Federal do Paraná, Sabrina Demozzi. “Temos ótimos pães de produtores locais e da região metropolitana. Você valoriza a cultura local e foge um pouco da industrialização excessiva.”

 

Fonte: Gazeta do Povo