Aprendendo a lucrar com a Whole Foods

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Com mais de 400 lojas, faturamento de US$ 15 bilhões e crescimento de 8% no acumulado de 12 meses terminados em setembro deste ano, a rede norte-americana de supermercados Whole Foods jura não ter lucro como foco. E parece que não tem mesmo. Walter Robb, um dos fundadores e CEO da companhia, explicou em sua apresentação no Congresso HSM Expomanagement, que termina hoje em São Paulo, a sua posição. Segundo ele, a Whole Foods cresce e lucra em consequência do seu propósito: “ajudar o mundo a se tornar mais saudável e gerenciar o negócio com mais coração”. Balela? Tudo indica que não.

Robb iniciou sua palestra dizendo que, em todo o mundo, as pessoas desconfiam das empresas. Elas consideram os empresários gananciosos, pessoas que só pensam em si e não querem contribuir com o mundo. E isso, segundo ele, não é nada bom. “Precisamos mudar essa narrativa”, disse no auditório com cerca de 3.000 empresários. Defendendo o chamado “capitalismo consciente”, que prega mais responsabilidade com a sociedade e o meio ambiente, o CEO lembrou a frase do atual presidente da Starbucks, Howard Schultz: “vamos continuar ganhando dinheiro, mas com outra visão.” Visão que, no caso da Whole Foods, é vender apenas itens orgânicos e naturais, produzidos de maneira sustentável, que, segundo especialistas, são os mais caros do mundo. Também faz parte do propósito da rede tratar da mesma maneira acionistas, funcionários, clientes, fornecedores e comunidades. “Não são só os acionistas que têm interesses legítimos”, disse.

No Whole Foods ninguém, incluindo donos e diretores, pode ganhar nove vezes mais do que a média dos salários. E ninguém tem vantagens adicionais, como carros cedidos pela companhia. Todos contam com os mesmos benefícios. A empresa, entretanto, não oferece treinamento. Cada funcionário deve ser responsável pelo próprio desenvolvimento. “O que garantimos é respeito à individualidade. Definimos processos e procedimentos, mas os funcionários têm autonomia para criar e arriscar. Trabalhamos com o conceito de autorresponsabilidade”, comentou Robb. Em uma das lojas, uma funcionária propôs etiquetas em braile para atender os clientes cegos. Em outra, o responsável pela padaria passou a “decorar” pães especiais de maneira divertida. São essas e outras iniciativas que valorizam o profissional e garantem os bons resultados da companhia, segundo o executivo.

A empresa também definiu padrões rígidos de produção para os fornecedores, a fim de garantir qualidade e “idoneidade” dos produtos, como orgânicos de verdade, carnes produzidas sem sofrimento dos animais, etc. Tudo com certificado e selo do próprio Whole Foods.

Outra preocupação é abrir lojas em áreas pobres, onde as pessoas não se alimentam bem. Recentemente, o prefeito de Chicago pediu para a rede inaugurar uma unidade num bairro de baixa renda, onde as pessoas têm expectativa de vida sete anos inferior à média da cidade.

“Empresas podem ser os maiores agentes de mudança do mundo, mas, para isso, têm que ter outra visão do capitalismo, onde lucro e sucesso são consequência do respeito a tudo e a todos”, afirmou Robb. Com 63 anos, 36 na rede, ele diz que tem um desejo: que a empresa dure mais do que ele.

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Fonte: Supermercado Moderno

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