O rótulo engordou: agora deve conter informações sobre alergênicos e teor de lactose

O rótulo engordou: agora deve conter informações sobre alergênicos e teor de lactose

Mal acabou de se adequar à resolução da Anvisa sobre os alergênicos, que entrou em vigor em junho de 2016, a indústria já se prepara para nova alteração nos rótulos dos seus produtos. Em julho foi aprovada uma lei que obriga que os rótulos informem a presença de lactose nos alimentos e bebidas. As indústrias têm 180 dias para cumprir esta nova exigência, que começa a valer em 1º. de janeiro de 2017.

Todas essas mudanças atendem um grande número de pessoas que se sentiam prejudicadas pela falta de informações nas embalagens dos produtos.

No caso dos alergênicos, tudo começou com uma grande mobilização popular de mães e pais com dificuldade para identificar quais alimentos os filhos alérgicos poderiam consumir. E a demanda cresceu. Estamos falando de algo em torno de 8% das crianças e 5% dos adultos brasileiros que enfrentam esse problema, que pode ser bem sério. Se consumirem um ingrediente do qual são alérgicos, eles podem ter vômitos, diarreia, urticária e até mesmo um choque anafilático.

Para você ter uma ideia, entre 2010 e abril de 2016, o Ministério da Saúde registrou 3.344 atendimentos relacionados a alergia no Sistema Único de Saúde (SUS). Desse total, 705 casos tiveram reações mais graves e necessitaram de internação.

Com a resolução da Anvisa, os rótulos agora passaram a informar a existência de 17 substâncias: trigo (centeio, cevada, aveia e suas estirpes hibridizadas), crustáceos, peixes, ovos, amendoim, soja, leite de todos os mamíferos, amêndoa, avelã, castanha de caju, castanha do Pará, macadâmia, nozes, pecã, pistaches, pinoli, castanhas e também do látex natural, material das luvas usadas no processo de produção. A informação deve vir precedida da expressão “Alérgicos: Contém” ou “Alérgicos: Pode conter”.

Intolerância à lactose

A lei da lactose atende um universo ainda maior de brasileiros. Cerca de 70% da população tem algum grau de intolerância à lactose. São mais de 140 milhões de pessoas que convivem em menor ou maior grau com uma deficiência digestiva causada pela falta de lactase, enzima que digere a lactose. Para eles, um copo de leite pode provocar grande desconforto.

A proposta de informar ao consumidor a presença da lactose tramitava há três anos no Congresso e foi aprovada em julho de 2016. A lei determina que os alimentos que contenham lactose deverão apresentar essa informação de forma clara no rótulo da embalagem e apontar os percentuais da substância. De acordo com o texto aprovado, os produtos com lactose reduzida devem informar o teor ainda remanescente.

Ainda não foi definido, porém, em que local do rótulo deverá constar a informação. De qualquer forma, a indústria está bem preparada para atender a esta nova lei. O grande contingente de intolerantes à lactose fez com que os laticínios desenvolvessem produtos específicos para esse consumidor. E a informação da redução de lactose nas embalagens se tornou mercadologicamente importante. Ou seja, ela já está lá.

Ao contrário dos alérgicos, que devem evitar os produtos que causam a alergia, os intolerantes à lactose podem continuar a consumir produtos lácteos devido ao processo de quebra da lactose utilizado pela indústria.

Vamos explicar melhor como isso funciona.

A lactose é um dissacarídeo. Para ser absorvida pelo nosso organismo, ela precisa ser quebrada, resultando em dois açúcares simples, a glicose e a galactose. Essa quebra é feita pela lactase, uma enzima produzida naturalmente pelo intestino.

Com a lactase fazendo seu trabalho, a glicose e a galactose passam sem dificuldade pelas paredes do intestino. O problema acontece quando a produção da lactase é insuficiente para quebrar a lactose, que fica inteira no intestino, atrapalhando a digestão.

A solução da indústria foi adicionar a enzima lactase na produção, resultando em leite e derivados zero lactose muito semelhantes em aparência e sabor aos produtos tradicionais e que conservam os valores nutricionais originais.

A resposta do consumidor não poderia ser melhor: entre 2014 e 2015, o volume mensal de leite zero lactose no Brasil passou de 8,99 milhões de litros para 14,18 milhões de litros, ou seja, quase 60% a mais (dados da A.C.Nielsen). E a curva ascendente do leite e seus derivados zero lactose está apenas começando.

Hoje, os maiores desafios da indústria de laticínios são ampliar o conhecimento sobre o leite zero lactose e se preparar para atender a uma demanda potencialmente enorme. A entrada em vigor da lei da lactose pode ajudar muito nesse sentido.

Fontes: O Globo, Folha de S.Paulo, Anvisa

Texto: +Bio

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