As três ondas de inovação nos alimentos

As três ondas de inovação nos alimentos

Esqueça tudo o que você já viu ou pensa sobre alimentos. A Reimagine Food, uma consultoria espanhola que trabalha com start-ups, investidores, chefs e indústrias de alimentos e bebidas, incluindo Nestlé, Carrefour, Heineken, Barilla e Danone, aposta em alterações profundas nesta área nos próximos anos.

De acordo com o CEO e fundador da empresa, Marius Robles, as mudanças virão em três ondas distintas.

A primeira onda: uberização dos alimentos

A primeira onda, que ele batizou de “uberização” dos alimentos, na verdade já começou e, até 2018, deverá acarretar uma transformação fundamental nos modelos de consumo e de distribuição. “Nós podemos entendê-la como a economia colaborativa aplicada à comida”, define.

Robles não é o único a ver a economia colaborativa como uma mudança gigantesca. A PriceWaterhouseCoopers estima que este tipo de atividade deverá movimentar 335 bilhões de dólares em 2025 e envolver cerca de 64% dos adultos em algum serviço de colaboração, seja na área de transporte, alojamento, música ou outra qualquer. E o setor de alimentos está dentro disso.

Para se ter uma ideia do que Robles está falando, a Uber, mais conhecida pelo sistema de transporte que concorre com os taxis, está avaliada em 50 bilhões de dólares, duas vezes mais do que a Renault e, olhe que ela não possui qualquer veículo. A própria Uber já lançou o serviço de entrega de comida, o que deverá ampliar o número de clientes e a rentabilidade dos seus parceiros.

Mas outras empresas disputam o mercado. As americanas Eatwith e Mealsharin são apenas duas que já prestam esse serviço, levando refeições de ótimos restaurantes para o conforto das casas. Já a  BlueApron faz entrega de kit refeição, com os ingredientes necessários para que as pessoas possam cozinhar as próprias receitas.

Se para você isso pareceu apenas um nicho de mercado, Robles garante que é uma tendência que veio para ficar. E os números reforçam o seu argumento: no ano passado, pela primeira vez, os americanos gastaram mais em refeições pedidas em casa do que em compras de alimentos em supermercados.

“Isto significa que os fabricantes de alimentos e varejistas precisam fazer uma reflexão séria em relação às ameaças e oportunidades que isso irá representar para os seus negócios. Em uma indústria onde os consumidores estão cada vez mais exigindo inovações, é impossível conseguir isso com os modelos obsoletos de hoje. Os consumidores não estão à procura de inovações que chegam através dos canais tradicionais”, acrescenta.

A segunda onda: cozinhas inteligentes

A segunda onda, que deverá acontecer entre 2018 e 2022, levará definitivamente a tecnologia para dentro de casa. Serão as cozinhas inteligentes. Algumas grandes marcas, como Samsung, Siemens e Bosch, já estão oferecendo geladeiras inteligentes, que detectam os alimentos armazenados e informam sobre o frescor, alertam quando a data de validade se aproxima, sugerem receitas e até elaboram listas de compras.

Tudo será conectado, diz Robles – armários de cozinha para supermercados, receitas on-line e dados de nutrição personalizados, que monitoram os hábitos alimentares e dizem às pessoas o elas devem ou não comer.

E quem são os consumidores-alvo desta tecnologia? Para começar, os Millennials. Mas certamente a queda do custo desta tecnologia deve ampliar o número de interessados.

A terceira onda: alimentos inteligentes

Na terceira onda, que Robles prevê acontecer em 2022-2025, a inovação será maior do que nunca – e ainda assim tão pequena que em alguns casos nem será vista.

“A nanotecnologia vai entrar em nosso estômago”, decreta. Segundo ele, as cidades serão capazes de analisar a qualidade de vida de seus habitantes através da sua comida e a terra arável será desnecessária.

E como isso irá acontecer? A carne será produzida em laboratório, as saladas serão cultivadas usando a tecnologia aeropônica, uma técnica de cultivo sem solo ou luz natural, e nutrientes de algas serão vendidos em pó.

Com certeza este não é exatamente o tipo de futuro que a maior parte das pessoas gostaria de ver em nosso sistema alimentar.

Robles sabe muito bem que muitos tratam suas previsões como pura imaginação. Mas, para ele, a terceira onda poderá salvar o planeta, oferecendo mais oportunidades de alimentação produzidas em menor espaço físico. A Organização para a Alimentação e Agricultura da ONU (FAO) calcula que a produção agrícola teria de aumentar em 75% para ter condições de alimentar uma população mundial projetada de 9,6 bilhões de pessoas em 2050. Algo praticamente impossível.

“Eu acredito que este é o único caminho. Nossos recursos estão se esgotando, por isso temos de começar a analisar outras alternativas. Ou começamos a abraçar as medidas necessárias para impulsionar a evolução da agricultura de precisão, ou então a humanidade terá de enfrentar alguns problemas muito grandes”, afirma.

O certo é que se esta terceira onda vingar a nossa relação com a comida nunca mais será a mesma.

Fonte: Food Navigator
Texto: Equipe +Bio

3 respostas em “As três ondas de inovação nos alimentos

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