Indústria já tem sinais da volta do crescimento

Indústria já tem sinais da volta do crescimento

Após a substituição dos produtos caros pelos mais baratos por parte dos consumidores durante a crise, o chamado “downgrade”, agora a indústria de bens de consumo começa a se animar com a possibilidade de retomada da venda de itens de mais valor unitário.

Na área de alimentos, a produção física deverá avançar entre 2,8% e 3% em 2018, após uma expansão de 1,3% neste ano, que reverteu as quedas de 2016 (-0,9%) e de 2015 (-2,9%). O crescimento da renda tende a alavancar produtos de maior valor, reduzindo a alocação em produtos mais básicos.

Estes são dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que apontam um aumento de 4,2% da massa de rendimento real habitual no trimestre encerrado em outubro sobre igual intervalo do ano passado.

A indústria ainda não retomará os níveis observados anteriormente à crise, mas que haverá em 2018 elevação de volume com recuperação de margem.

Uma área que cresceu muito durante o período de expansão da economia foi a de queijos e seus derivados. Segundo o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Queijo (Abiq), Fábio Scarcelli, a produção do setor deverá crescer cerca de 3,6% no ano que vem, após uma expansão entre 1,5% e 2% em 2017. “Mais renda aumenta o consumo de produtos lácteos como um todo”, afirmou, destacando que cada um ponto percentual de expansão da renda eleva em 1,2 ponto percentual a produção de leite e derivados.

Entre os fabricantes de massas e biscoitos também já é observada uma melhora. O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Paes (Abimapi), Claudio Zanão, ressaltou que principalmente no segmento de biscoitos, que conta com mais de 1.500 tipos de produtos, espalhados por diversas marcas, se observou muito claramente a opção por marcas mais baratas. “A crise tirou muitos produtos do mercado”, analisa, ponderando que em 2018 a indústria deverá retomar o movimento de lançamentos de forma mais intensa. “Isso é uma questão de sobrevivência. Ao menos uma mudança nas embalagens ou novos sabores precisa ocorrer”, disse.

A expectativa positiva está calçada, sobretudo, nos prognósticos de alta do PIB, que poderá ficar na faixa de 2,5% a 3% em 2017. Particularmente, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) projeta que o PIB será puxado pelo incremento do consumo, com um avanço de aproximadamente 3,9% no próximo ano.

Uma das consequências mais perversas da crise foi a maior seletividade no momento de ir às compras, inclusive até abandonando por completo determinados itens considerados supérfluos. “O consumidor passou a fazer mais escolhas, gastando em algumas categorias e menos em outras. Antes da crise, só se incorporava”, diz a analista sênior de pesquisas da Euromonitor, Angélica Salado.

Ela destaca que 2018 será o momento das indústrias investirem no lançamento de novos produtos, especialmente dos que foram adiados durante a crise. “As indústrias vão tentar fidelizar os consumidores que já tinham durante o movimento de ‘trade down’ e reconquistar as fatias de mercado perdidas pela recessão”, avaliou.

Para o analista da Eleven Financial Raul Grego, as famílias vão voltar gradativamente em 2018 a um consumo de maior valor agregado. Na avaliação dele, parte dessa demanda deverá se concentrar em itens com elementos de “saudabilidade”. “Há uma cultura se enraizando de consumo de maior valor. Isso é algo que já vemos”, destacou.

Ribeiro, da Abia, acrescentou que o próprio passado recente, pré-crise, de consumo de maior qualidade, está na memória dos consumidores. “A vida moderna nas grandes cidades contempla esses produtos de mais valor. Essa é uma dinâmica que veio para ficar”, pontuou.

 

Fonte: ABIMAPI

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