Neste ano, preços de atacado deve subir

Neste ano, preços de atacado deve subir

Quem se acostumou aos preços baixos dos alimentos no ano passado pode se preparar para valores mais elevados em 2018. O ano passado foi marcado por um clima perfeito, o que gerou uma supersafra de grãos e boa produção de hortifrútis. O clima pode até ser bom de novo neste ano, mas alguns fatores novos vão acarretar a elevação. Os preços no atacado já começam a mostrar essa movimentação para cima.

Em julho de 2017, após um primeiro semestre de queda, principalmente das carnes, o IGP-10 da FGV indicava uma deflação de 2,52% no mês. No acumulado em 12 meses, a queda era de 18,5%. Neste mês, conforme os dados mais recentes divulgados pela FGV, os preços dos alimentos no atacado subiram 0,74%, o quarto seguido de elevação. O acumulado em 12 meses já tem queda menor, de apenas 11,66%, conforme o dado mais recente.

João Paulo Bernardes Deleo, pesquisador na área de hortaliças do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), alerta para o fato de que o ano de 2017 foi bom para os consumidores, mas não para os produtores, que tiveram perda de renda.

O resultado é que neste ano os produtores, descapitalizados, reduziram a área de plantio. Além disso, estão fazendo investimentos menores nas lavouras.Isso significa que, mesmo com um clima favorável, o consumidor vai pagar mais caro pelos hortifrútis.

No início do ano, o quilo de tomate do tipo italiano de melhor qualidade custava até R$ 3,02. Nesta semana está em R$ 4,75, uma alta de 55%.

As altas não se limitam, no entanto, a hortifrútis. O preço dos bovinos foi um dos principais componentes de pressão dos alimentos no atacado neste mês, segundo a FGV.

Outro produto que entra nessa lista de pressão é o milho, cuja área de plantio neste verão foi a menor em quatro décadas (período em que a Conab começou a divulgar os dados de área de plantio). O comportamento dos preços do milho ainda é incerto, uma vez que as primeiras estimativas ainda indicam uma produção próxima de 90 milhões de toneladas neste ano.

Os estoques atuais são elevados, e a aposta de uma safra maior recai sobre a safrinha. As estimativas de exportação, porém, são de um novo recorde, o que enxuga ainda mais o mercado. O volume e o preço do milho são determinantes para as carnes, principalmente as de ave e suína.

Feijão e arroz têm previsões de área e de produção menores, mas os preços ainda não reagiram neste ano, o que poderá ocorrer. A evolução da economia também é um componente importante no comportamento dos alimentos. Pode puxar a demanda e elevar preços.

Fonte: Folha de S. Paulo

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