Adoçantes artificiais e a gestação

Adoçantes artificiais e a gestação

A evolução do comportamento humano e as transformações sociais e culturais da sociedade contemporânea colocam a medicina em destaque na busca pela longevidade e qualidade de vida. Já foi demonstrado que a orientação nutricional promove melhora significativa no perfil do consumo alimentar das mulheres submetidas aos tratamentos de Reprodução Assistida, com aumento ou introdução de alimentos integrais, de vegetais em geral, de grãos e oleaginosas e redução no consumo de carne.

Para que ocorra a reprodução, órgãos e hormônios devem estar em perfeito equilíbrio e harmonia: útero, tuba uterina, ovários e eixo hipotálamo-hipófise-ovário, que regula toda a produção hormonal envolvida com o perfeito funcionamento do sistema reprodutor feminino. Estresse, toxinas, poluição, tabagismo, sedentarismo, além do uso abusivo de medicamentos, são fatores que deprimem os nutrientes do organismo e favorecem o aumento dos radicais livres circulantes, causando estresse oxidativo. Com os açúcares e adoçantes artificiais não foi diferente.

A obesidade se tornou uma epidemia mundial e sua relação com a ingestão de açúcares está bem demonstrada. Houve um expressivo aumento do consumo de adoçantes artificiais nas últimas décadas, como estratégia no combate a ao sobrepeso e obesidade  e, onde se iniciou discussão, já entre 1950 e 1960, acerca do valor nutricional e os riscos à saúde de tais substâncias.

Estudos sugeriram que o consumo de adoçantes artificiais pode interferir no metabolismo da glicose, com reações inflamatórias e desequilíbrio metabólico com efeito prejudicial à saúde. Constatada também uma possível associação entre consumo de açúcares e adoçantes  durante a gestação e o risco de nascimento prematuro.

Neste cenário, resolvemos avaliar se o consumo de refrigerantes e café adoçados com açúcar ou adoçantes artificiais impactam na qualidade dos óvulos, nas chances de implantação dos embriões e nas taxas de gravidez, em um trabalho recentemente publicado. Avaliamos 5.548 óvulos obtidos de 524 mulheres tratadas por fertilização in vitro e observamos que o consumo de refrigerantes adoçados com açúcar ou artificialmente, interferem de modo negativo na qualidade dos óvulos.

Quanto ao café, nenhum efeito foi observado se consumido sem açúcar ou adoçante artificial, mas quando adoçado artificialmente interfere negativamente não só o óvulo, como também na chance de implantação do embrião, com redução na probabilidade de gravidez. Houve também registro de redução de 10% na probabilidade de gestação das mulheres que consumiram dois ou três refrigerantes adoçados artificialmente por dia.

É certo que o hábito alimentar é fenômeno complexo, mas há necessidade de integrar conhecimentos tecnológicos e biológicos para se alcançar resultados práticos mais efetivos. Precisamos semear neste terreno fértil para colher o tão almejado equilíbrio necessário para saúde em geral e também para a saúde reprodutiva.

Fonte: Veja Saúde

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