A importância da redução do açúcar

A importância da redução do açúcar

Dados do Ministério da Saúde revelam que, em dez anos, o número de obesos no Brasil aumentou de 11,8% (2006) para 18,9% (2016). Além disso, segundo a Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção de Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), a obesidade já é uma realidade para 18,9% dos brasileiros.

O sobrepeso, seguindo a mesma fonte, atinge mais 54% da população e, entre os jovens, a obesidade aumentou 110% entre 2007 e 2017, índice que foi quase o dobro da média nas demais faixas etárias (60%).

Nesse cenário, podemos refletir sobre como as mudanças de comportamento influenciam hábitos de consumo, transformando o varejo e afetando diretamente economia, governo e sociedade. Um exemplo é a medida que tem sido avaliada pelo governo brasileiro de aumentar o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de refrigerantes e sucos artificiais.

O objetivo é reduzir o uso do açúcar na produção de produtos vendidos no varejo, decisão que foi tomada com base nas orientações da Organização Mundial de Saúde, que sugere o aumento nas taxas de tributação como uma boa estratégia para prevenção da obesidade.

Atualmente, o Brasil tem o compromisso de reduzir em 30% o consumo de refrigerantes e sucos artificiais. Para isso, o aumento do imposto do açúcar é fundamental, pois encarecerá certos produtos e diminuirá o consumo dos mesmos, seguindo o princípio da economia: “o comércio pode ser bom para todos”.  Neste mesmo sentido, projetos de lei com previsões de aumento de tributos tem sido encaminhados, como, por exemplo o Projeto de Lei 8541/17, que aumenta impostos sobre esses produtos, com o objetivo de frear o consumo.

A proposta, que foi desarquivada e deverá agora ser analisada pelas comissões de Finanças e Tributação, de Constituição e Justiça e de Cidadania, aumenta de 4% para 5% a alíquota de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) cobrada sobre a importação e a saída das fábricas desses produtos. Também determina que a alíquota mínima do IPI cobrado em outras fases da cadeia será sempre 25% maior para as bebidas não alcóolicas que tenham açúcares intencionalmente adicionados, ou seja, que não sejam naturalmente doces.

Segundo o levantamento “Padrões de ingestão de fluidos: um estudo epidemiológico de crianças e adolescentes no Brasil”, que acompanhou 831 pessoas entre 3 e 17 anos, o consumo de refrigerantes e bebidas açucaradas representa uma média diária de 207 calorias, ou seja, 42% do total recomendado diariamente, apenas com esses líquidos.

Para entender como outros países estão enfrentando esse problema, em 2016, a cidade de Berkeley, na Califórnia (EUA), foi a primeira a adotar essa cobrança, depois de uma campanha financiada em parte por Michael Bloomberg, ex-prefeito de Nova York. Assim, a população bebeu 21% menos produtos com açúcar.

No Reino Unido, o imposto sobre o açúcar entrou em vigor no dia 6 de abril de 2018, aplicando uma taxa às empresas de bebidas para diminuir os elevados níveis de açúcar nos refrigerantes. Com essa ação, a estimativa é arrecadar £ 520 milhões, verba que será usada para financiar esportes nas escolas primárias.

Importante destacar que nem todos os empresários são contra a medida. As indústrias de alimentos lançaram, no final de 2018, em parceria com o Ministério da Saúde, um plano inédito de redução voluntária de açúcares em alimentos e bebidas, tendo como meta retirar mais de 144 mil toneladas de açúcares de alimentos e bebidas até 2022. A iniciativa será conduzida em 23 categorias de alimentos e bebidas de cinco grupos distintos (bebidas adoçadas, biscoitos, bolos prontos e misturas para bolo, achocolatados em pó e produtos lácteos) envolvendo 68 indústrias, que representam 87% do mercado de alimentos e bebidas do País.

É perceptível a mudança de concepção em relação ao consumo do açúcar. Líderes de diversos setores estão agindo em prol das políticas públicas e muitos empresários já estão visando uma oportunidade de negócio sustentável, atentos às mudanças de comportamento do consumidor. Ou seja, o caminho beneficiará a todos com novas oportunidades de negócios, estimulando a produção de produtos saudáveis e, consequentemente, a melhoria da saúde da população.

Fonte: Abimapi

4 respostas em “A importância da redução do açúcar

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