Como hábitos do consumidor estão moldando o setor alimentício

Como hábitos do consumidor estão moldando o setor alimentício

Mudanças nos hábitos de consumo, como a preocupação cada vez maior da sociedade em ter uma vida mais saudável já ocasionou, inclusive, o aumento de produtos integrais e orgânicos nas gondolas dos supermercados.

O novo comportamento demanda, também, transformações nos canais de distribuição que vivenciam o crescimento dos atacarejos e, consequentemente, a necessidade de as empresas se adaptarem ao novo formato.

Recente pesquisa da Euromonitor International, apontou 10 tendências globais de consumo, mostrando que as pessoas estão cada vez mais conscientes e tomando decisões de compra baseadas em valores.

As preocupações sobre o bem-estar animal, sustentabilidade e o significado de um negócio responsável vêm ganhando força em todo o mundo, além da procura por alimentos com foco na saudabilidade.

A indústria de alimentos, desde seus primórdios, trabalha para desenvolver alternativas que atendam às novas demandas. Ao observar os últimos avanços na oferta de produtos, deparamo-nos com uma grande variedade de alternativas para atender o consumidor. Produtos light, diet, zero açúcar, zero gordura, sem glúten, sem lactose e integrais são alguns dos exemplos que podemos mencionar.

O presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos industrializados (Abimapi), Cláudio Zanão, também palestrante no mesmo painel, reitera que o consumidor está cada vez mais exigente, reforçando a ideia da saudabilidade dos alimentos.

“Diante disso, a indústria tem priorizado produtos que correspondam a essas necessidades, sobretudo no nosso segmento, que fabrica gêneros populares, enraizados no consumo há muito tempo”, destaca.

O presidente da ABIA salienta que, segundo levantamento da entidade, as vendas de alimentos industrializados que valorizam atributos de saúde e bem-estar foram estimadas em R$ 70,3 bilhões em 2018. Essa valor correspondeu a uma participação de 10,7% do total do setor, de R$ 656 bilhões. “Nos últimos cinco anos, as vendas da indústria de alimentos desses segmentos cresceram, em média, 3,1% ao ano”.

Para responder a essa demanda de saudabilidade, a indústria, a partir de pesquisas e implementação de novas tecnologias, tem desenvolvido inúmeros produtos com características funcionais e maior densidade nutricional. Muitos alimentos ganharam versões com menos calorias ou com adição de proteínas, fibras, vitaminas e minerais.

“Também mantemos acordo de cooperação técnica com o Ministério da Saúde, visando ao desenvolvimento do Plano Nacional de Vida Saudável, que inclui a melhoria no perfil nutricional dos alimentos industrializados. Nesse âmbito, já foram retiradas 310 mil toneladas de gorduras trans e mais de 17 mil toneladas de sódio de 35 categorias de alimentos industrializados. A meta é alcançar 28 mil toneladas em 2020”, informa Dornellas.

Segundo o Instituto de Estudos em Saúde Coletiva, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), os índices de 2016 comparados aos de 2008/2009 indicaram que o biscoito recheado apresentou queda de 34% no teor de sódio, o salgado de 16,6%, e o doce de 9,6%; no pão de forma e no cereal matinal, o teor caiu 2,8% e 6,1%, respectivamente. Em 2017, firmou-se novo acordo, com metas anuais e prazo de cinco anos.

O presidente da Abimapi frisa que grãos integrais são nutrientes que elevam a qualidade da dieta alimentar. No entanto, a ausência de critérios de composição e rotulagem em produtos à base de cereais integrados constitui um vácuo regulatório.

Com suporte especializado, a Abimapi colabora com a Anvisa para definir a normalização Os tópicos em análise incluem a busca de consenso em torno de uma definição técnica de farinha integral, o estabelecimento de um teor mínimo de cereais integrais que identifique um produto como integral e, no campo das embalagens, a descrição da quantidade de produtos integrais no rótulo frontal. Essa regulamentação deverá ser concluída até o final de 2019.

Sobre a saudabilidade e sustentabilidade dos produtos, premissas atuais da indústria de alimentos e que provocam mudanças no mercado consumidor, Zanão observa: “Temos de lembrar, também, que o nosso baixo poder aquisitivo sempre será um moderador na aquisição destes itens, que muitas vezes são nichos de mercado”.

Por sua vez, o presidente da Abimapi explica não haver comprovação de que o glúten seja nocivo à saúde ou associado à obesidade. “Produtos glúten free existem unicamente para atender as pessoas que têm a doença celíaca, que passaram a ter vários alimentos industrializados disponíveis no mercado. Nosso dever como entidade representativa das categorias de biscoitos, massas, pães e bolos industrializados, que têm, em sua maioria, a farinha de trigo como matéria-prima principal, é fornecer informações de qualidade, embasadas em estudos científicos e por nutrólogos e nutricionistas, para orientar e direcionar o consumo consciente”.

Dentre todas as categorias de alimentos funcionais, naturais ou com apelo de saudabilidade, os sem glúten têm a maior previsão de crescimento no Brasil até 2022, com aumento nas vendas estimado entre 35% e 40% ao ano. Hoje, o consumo anual de pães sem glúten está em pouco mais de US$ 1 dólar per capita no Brasil. Bolos e massas sem o componente têm o consumo ainda abaixo de US$ 0,50 per capita.

Fonte: ABIMAPI

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