Nutrição como Instrumento de Valor para a Indústria Alimentícia.

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QUAIS SERIAM AS PRINCIPAIS VANTAGENS DA FORTIFICAÇÃO DOS ALIMENTOS? QUAIS SERIAM OS PRINCIPAIS BENEFICIÁRIOS?

A priori, ganham os segmentos que nela apostam, os consumido­res destes produtos e a nação pela formação de “poupança físico­-cognitiva” que se estabelece na população.

A aplicação de vitaminas, minerais e ingredientes funcionais pa­rece estabelecer um dos únicos jogos de ganha-ganha legítimos e sustentáveis, pois os benefícios, a baixíssimos custos, são subs­tanciais ao longo de toda a cadeia. Os micronutrientes fortificam os alimentos e fortificam, também, seus rótulos, o valor percebido dos produtos e o valor do mercado em que estão inseridos. Tudo isso paralelo ao benefício individual transferido à cada consumidor e aos benefícios globais, pela redução dos custos com saúde pú­blica e pelo aumento do potencial de desenvolvimento corpóreo e intelectual dos indivíduos. Não é de hoje que o consumidor demanda e demonstra maior interesse pelos alimen­tos benéficos à sua saúde e de sua família. O senso comum da relação entre alimento e saúde é o fundamento primordial do suces­so de certos produtos e marcas de alimen­tos enriquecidos ou funcionais. Recentes pesquisas sobre o comportamento de com­pra do consumidor apontam para sua pre­ferência por alimentos dotados de alguma funcionalidade.

Os pais, por exemplo, preferem dar ali­mentos fortificados aos seus filhos, ao in­vés de irem à farmácia buscar coquetéis vitamínicos minerais. A turma da melhor idade, por sua vez, procura cada vez mais por alimentos ricos em cálcio, fibras, por nutrientes benéficos à visão e à saúde cardiovascular. Olhe na despensa de um jovem sessentão e você terá comprovado isto numa verdadeira pesquisa de cam­po. Olhe a lancheira da piazada e não se decepcionará, também. Remédio é para uso individual; Comida é pra todos jun­tos; Comida está associada a momentos felizes – comemoração; Remédio, não! Talvez esteja aí um outro forte motivo da preferência pelos alimentos fortificados e funcionais.

A fortificação parece, finalmente, conci­liar alguns interesses de cada agente da cadeia dos alimentos industrializados: A indústria registraria maior demanda e maior valor percebido de seus produtos; O consumidor acessaria micronutrientes e ingredientes funcionais aliados à saú­de, desenvolvimento e bem-estar; a na­ção reduziria gastos com saúde pública.

Não é atoa que organizações como a MIN­TEL, atestam o vigoroso crescimento da fortificação voluntária no mundo. Inter­nacionalmente, a indústria de alimentos percebeu e registrou demandas, opor­tunidades e tendências e não são poucos os exemplos brasileiros. Quem trabalha com criação e inovação não fica esperan­do pela fortificação mandatória (sal e fa­rinhas de trigo e milho, por exemplo) para atender os anseios dos consumidores. O ritmo de quem inova e busca diferencia­ção é outro. Observe quantos alimentos voluntariamente fortificados e funcionais estão à nossa disposição. E cada dia sur­ge mais um sem número de produtos e marcas fortificadas. Os lançamentos de alimentos funcionais na América Latina, por exemplo, triplicou entre 2007 e 2012 e já representam 6% de todos os produto lançados anualmente (Mintel, GNPD We­bminar, 2012).

No Brasil, enquanto o poder público, os setores e a sociedade civil discutem os resultados de uma década do programa de fortificação mandatória de farinhas de trigo e milho, muitas empresas buscam na fortificação voluntária instrumentos para o posicionamento diferenciado de seus produtos, pois não se precisa de lei de obrigatoriedade quando existe perfei­to encaixe entre demanda do consumidor e valor entregue pela indústria de ali­mentos. Arroz e macarrão instantâneo vitaminado, gelatina e refresco fortifica­do, pães e biscoitos com vitaminas e mi­nerais, óleo de soja enriquecido com vita­minas, iogurtes, leites, biscoitos… Agora cada vez mais bem desenhados em re­lação à matriz alimentar e ao buquet nutricional, com foco maior no benefício e não apenas no conteúdo. Como estes, quantos exemplos você não consegue ver entre a gôndola do supermercado e o ar­mário de casa?

Texto: Divanildo Carvalho Junior. Gerente de Tecnologia e Inovação – Granotec do Brasil.

Nutrição e as Farinhas de Trigo.

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“O trigo é uma das mais antigas e mais amplamente cultivadas de todas as culturas agrícolas”, é o que registram Orth e Shellenberger, no famoso livro “Wheat – Chemistry and Technology”, editado por Pomeranz. Numa tradução livre, o texto ainda informa que “É aceito que o trigo foi cultivado como cultura alimentar cerca de 10.000-8.000 A.C.”. Segundo os autores, que representam a mais forte corrente histórico-científica, por muito tempo o homem alimentou-se quase que inteiramente de carne de caça.

Quando o Homo sapiens, além de caçador, passou a ser coletor de vegetais, ampliou suas fontes alimentares. O subsequente domínio do cultivo de grãos fora primordial para o início da civilização (Pomeranz, 1988). Não é absurdo dizer que o trigo alimentou e nutriu o homem pré-histórico, ajudando-o a fixar-se à terra e desenvolver-se, é trivial entender porque o trigo transformou-se no mais importante dos cereais: tem inigualável capacidade de formação de massa, é fonte de energia e de nutrientes como proteínas, vitaminas e minerais. É uma das fontes de proteínas de mais baixo custo, compostas em 1/3 por aminoácidos essenciais. Massas, pães, biscoitos e bolos existem em virtude do trigo. São alimentos presentes na cultura alimentar de quase todos os povos, porque, numa dieta equilibrada, dão satisfação sensorial e aportam saudabilidade e nutrição. Há alguns anos o grão integral possui alegação funcional reconhecida pelas autoridades norte-americanas, e as farinhas, mesmo baixas extrações, podem ser instrumentos da nutrição, pela adição de vitaminas e minerais, no que se convencionou chamar de Fortificação Alimentos.

Fortificação de Farinhas

No início da década de 1920, a introdução de iodo no sal de cozinha nos Estados Unidos, transformou-se num marco da fortificação (Cannon, 2006), cuja regulamentação iniciou-se há mais de 50 anos, melhorando o aporte nutricional à população (Backstrand,2002). Desde então, as farinhas de trigo foram eleitas como importante vetor de nutrição em virtude da regularidade de seu consumo, estabilidade, facilidade de incorporação e homogeneização de micronutrientes. Já em 1941, farinhas de trigo passaram a ser fortificadas com vitaminas do complexo B (Cannon, 2006), reduzindo, severamente, problemas de má formação do tubo neural durante a gestação. No Brasil, a fortificação de farinhas de trigo (e milho) foi regulamentada em 2002, através da RDC 344, que determina a adição de 4,2 mg de ferro e 150 g de ácido fólico (vitamina B9) por 100g de farinha. A deficiência de ferro pode causar danos irreparáveis no desenvolvimento do organismo e na função cognitiva durante a infância. O ácido fólico é necessário para a síntese de DNA e RNA, e sua escassez pode ocasionar má formação fetal e comprometer formação de glóbulos vermelhos em crianças e adultos. Uma década depois, avanços podem ser mensurados, mas equívocos, detectados já na implantação da lei, deveriam ser corrigidos com:
A) aumento do consumo de derivados de trigo;
B) aplicação de melhores fontes de ferro;
C) melhor composição da fortificação.

Se López-Camelo (2010), registra minimização da anencefalia no Brasil, outros estudos, como o de Vieira e Ferreira (Revista de Nutrição, 2010), citam a gravidade da anemia no nosso país. No controle da má formação do tubo neural (espinha bífida), Canadá, Costa Rica, Chile e Argentina têm melhores resultados que os nossos. Um dado histórico talvez ajude nossa reflexão: o brasileiro tem consumo per capita de trigo muito menor que o do Canadá, do Chile, da Argentina, dos EUA e da EU. São 60kg de trigo/habitante/ano, contra consumos nunca menores que 90kg/habitante/ano (Fapri, 2006). Incentivar o aumento do consumo de derivados do trigo parece ser conditio sine qua non a melhoria dos resultados da fortificação. Incentivos à aplicação fontes de ferro com melhor biodisponibilidade (não susceptíveis ao eletromagnetismo) também parecem ser meios para a melhoria dos resultados do programa. Além disso, é importante se ter ciência do ciclo metabólico do ferro, para o qual é imperativa a ação de outros nutrientes, como a vitamina A, que poderia elevar sua absorção em pelo menos 34% (García-Casal, 2009). A fortificação de farinhas de trigo poderia estender seus benefícios na prevenção de enfermidades e na minimização dos custos com saúde pública. Para isso seria necessário um somatório de ações, que viabilizassem o incremento de consumo dos alimentos derivados do trigo, a aplicação de melhores fontes de ferro e a disponibilização de uma fortificação robusta, derivando numa melhor ingestão de micronutrientes e abreviando o tempo para que fossem atingidos os objetivos do programa: “reservas” em saúde e capacidade cognitiva (banco de intelecto). E o velho ditado diz: é melhor prevenir que remediar.

Texto: Divanildo Carvalho Junior. Gerente de Tecnologia e Inovação – Granotec do Brasil.

A Vitamina D e a Fortificação de Alimentos.

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VITAMINAS SÃO MICRONUTRIENTES NECESSÁRIOS AO METABOLISMO E QUE NÃO PODEM SER SINTETIZADOS PELO CORPO HUMANO. ESTA DEFINI­ÇÃO CLÁSSICA DAS VITAMINAS POS­SUI UMA EXCEÇÃO: A VITAMINA D.

Uma tradução livre do significado de vitami­nas encontrada no livro Nutrition Food and the Environment, de Vincent Hegarty (1995), permite a inclusão da Vitamina D no rol des­tes micronutrientes: “Vitaminas são substâncias orgânicas, requeridas para funções metabólicas espe­cíficas do corpo, necessárias em pequenas quantidades na dieta”.

Isolada na década de 1920, apenas 50 anos depois des­cobriu-se que ela poderia ser produzida pelos humanos, ferindo o conceito clássico das vitaminas.

Além de poder ser ingerida a partir de alimentos nos quais está naturalmente presente, ou através de alimentos forti­ficados, a Vitamina D pode ser sintetizada pelo corpo huma­no, num ciclo desencadeado pela luz do Sol. Hábitos de vida modernos minimizam a ex­posição aos raios ultravioleta (raios UVB), reduzindo portan­to, o “auto-suprimento” deste micronutriente. Vestuários típicos das grandes cidades, encasulamento em casa ou no trabalho, lazer em ambiente fechado, ou mesmo o benéfico uso dos protetores solares, são exemplos de costumes que minimizam nossa intera­ção com a luz solar. Some a isto as dietas livres de carne vermelha, vísceras (fígado, por exemplo), ovos e gorduras, e teremos uma equação que resulta numa baixa produção e suprimento de Vitamina D.

A vitamina D é importante em diversos sítios metabólicos do corpo humano, daí sua presença em múltiplos buquês nutricionais aplicados na fortificação de alimentos, para o aporte de benefícios típicos desta vitamina e dos consórcios, dos quais participa, com outros micronutrientes.

A Vitamina D, por exemplo, e não apenas:

• Auxilia na absorção de cálcio e fósforo a partir do trato gastrointestinal;

• Aumenta a fixação mineral nos ossos;

• Regula a eliminação de cálcio e fósforo pelos rins;

• Participa dos processos de transmissão nervosa, contribuin­do para regulagem da função muscular cardíaca.

Também conhecida como “Vitamina Anti-Raquitismo”, juntamente com os hormônios “calcitonina e paratireóide (presentes em nosso organismo) a Vitamina D é necessária para a regular a homeostase do cálcio e o metabolismo do fósforo” (BASF, 2003). Re­sumidamente regula a absorção e fixação de minerais para melhor desenvolvimento, manutenção do esqueleto e tônus muscular. Os buquês nutricionais compostos pela Vitamina D aportam benefícios ao ser humano desde a mais tenra até a melhor idade. Na infância é instrumento contra o raquitismo, na maturidade melhora o sentido de equilíbrio corpóreo, minimiza a perda de densidade óssea e auxilia o apropriado com­passo cardíaco.

Acredita-se quee a deficiência em Vitamina D acometa 50% da população brasileira com menos de 50 anos, e em torno de 80% dos idosos. Possivelmente a fortificação (ali­mentos adicionados de vitaminas e minerais) seja o método mais eficaz para aporte nutricional da Vitamina D, sendo também o mais seguro e economicamente viável. Os alimentos enriquecidos somam-se aos naturalmente dotados de Vitamina D e à mode­rada exposição UVB, minimizando a possibilidade de efeitos indesejáveis.

Na fortificação e suplementação alimentar, o suprimento de Vitamina D é realizado com o uso de duas substâncias: ergocalciferol (Vitamina D2, plantas e cogumelos) e Colicalciferol (Vitamina D3, animais), que após ingeridas e digeridas são levadas pela corrente sanguínea ao fígado, onde passam por uma primeira transformação, antes de serem, nos rins, convertidas na forma ativa Vitamina D. Daí é distribuída pelos diversos sistemas do corpo humano, participando de importantes transformações metabólicas: da multiplicação celular ao efetivo funcionamento do sistema imunológico; do cresci­mento e desenvolvimento corpóreo a minimização da tendência à obesidade; etc.

Por isso tudo, parece-me confortável dizer a você que consulte regularmente seu médico e se ele não tiver nada contra, continue tomando Sol até às 10 da manhã, ou depois da 16h e usando protetor solar, eles já comprovaram sua importância para a saúde, consuma alimentos que naturalmente contém Vitamina D e insira em sua dieta os alimentos fortificados que você mais gosta.

Texto: Divanildo Carvalho Junior. Gerente de Tecnologia e Inovação – Granotec do Brasil.