Grãos pouco conhecidos no Brasil devem receber mais incentivo das indústrias

Sementes que podem ser usadas na alimentação e com alto índice nutritivo ainda são exploradas pelas indústrias alimentícias brasileiras de forma tímida e ainda pouco conhecidas pela maioria da população.

shutterstock_248256634

Os pseudocereais – amaranto, quinoa e farinha de sarraceno – são ricas em vitamina E e reduzem o colesterol no organismo, mas ainda são pouco usados na culinária brasileira. “O objetivo da palestra é apresentar a composição, processamento e produtos que podem ser desenvolvidos utilizando os pseudocereais. E, considerando o fato que estes grãos são pouco conhecidos no Brasil, o objetivo é considerar que estes cereais têm para a nutrição para a saúde humana e a possibilidade de utilização na nossa alimentação. Tanto a quinoa como o amaranto já são pesquisados no Brasil há mais de 30 anos e estão no nosso mercado há 10 anos, mais ou menos. Mesmo assim, ainda são pouco consumidos e conhecidos pelos brasileiros. Um dos motivos é o custo. Esta foi o estudo apontado por Vanessa Dias Capriles, pesquisadora da Unifesp, uma das palestrantes do LACC3.

Vanessa explicou que há várias possibilidades de utilizar estes grãos no dia a dia de forma semelhante ao trigo, arroz, milho, já que os pseudocereais podem ser processados de várias formas para a obtenção de nutrientes. Segundo ela, dá para fazer pipoca, usá-los inflados, em forma de flocos, com aromas diferentes, adicionar outros ingredientes, na formulação de granola, em barra de cereais, biscoitos, bolos e pães. “Já fizemos pão sem utilizar a farinha de trigo. Se comprar amaranto em grãos no mercado, dá para moer no liquidificador – não precisa de um processo tecnológico sofisticado. Dá para usar para fazer pães, bolos, panquecas, massas. As possibilidades são muitas. É só substituir 1/3 da farinha de trigo que seria usada nestas produções. Fica um produto gostoso que as pessoas podem incorporar no dia a dia normalmente”, explica ela, lembrando que os três cereais têm um grande potencial para a saúde, com fibras e minerais. As novidades, no entanto, não param por aí: Outra novidade que já está bastante difundida em outros países da América Latina – principalmente Bolívia e México – são as bebidas fermentadas à base destes grãos. A cerveja sem glúten é uma das opções para os celíacos.

“Esta oferta é que limita a procura do produto no Brasil, apesar de hoje o consumidor estar muito interessado em nutrição, em saúde e bem-estar. Por isso que eles estão no mercado, mesmo que de uma forma muito tímida. A gente vê que a indústria já está incorporando estes grãos na formulação de alguns alimentos. Já encontramos pães com amaranto, quinoa, granola e alguns outros produtos, mas a quantidade que estes pseudocereais são utilizados ainda é muito baixa, aponta a especialista. Segundo ela, a situação do trigo sarraceno ainda é mais dramática porque ele já é cultivado no Brasil há mais de 80 anos e é muito difícil encontrar este produto no mercado nacional. Em alguns mercados da região sul até se encontra na produção da agricultura familiar porque faz parte da alimentação de alguns imigrantes poloneses, ucranianos, russos que usam na culinária tradicional, mas é rara a comercialização em supermercados. “E, infelizmente, ainda são caros. Isso ocorre porque ainda não tem uma grande demanda. Se é caro, uma coisa fica presa a outra. Por isso destaco a importância do desenvolvimento de ações tanto na pesquisa quanto no desenvolvimento envolvendo toda a cadeia produtiva para aumentar a quantidade destes grãos ou entender melhor como processá-los, como adaptarmos ao hábito de consumo dos brasileiros, e este maior desenvolvimento de produtos para que eles fiquem com o custo mais acessível e, de fato, possam ser consumidos pela população. Hoje o consumo fica restrito à população de melhor poder aquisitivo, ou seja, à população de fato”, pondera.

 

Fonte: Portal do Agronegócio

Cadeia do Trigo debate formas de aumentar consumo

O consumo anual per capita de trigo no Brasil está na faixa de 45 quilos, metade da registrado na Argentina e países da Europa.

shutterstock_2788496

Expandir o consumo e o plantio de trigo no Brasil, principalmente nas regiões Norte e Nordeste, é o principal desafio da cadeia nacional do cereal. Esse foi um dos temas debatidos na LACC3 Brazil desde ano.

“Estamos aqui para saber as tendências mundiais de demanda e montar esse quebra-cabeça da oferta”, contextualiza Maximiliano Permartiri, gerente comercial da empresa organizadora Granotec.

25 anos_v2-azul

O consumo anual per capita de trigo no Brasil está na faixa de 45 quilos. A quantidade é metade da registrada na Argentina e países da Europa. De acordo com Marcelo Vosnika, presidente da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), problemas logísticos interferem diretamente no consumo brasileiro. “É mais barato trazer trigo dos Estados Unidos do que levar o grão cultivado no Sul para o Norte e Nordeste”, reforça Vosnika.

Ainda segundo o executivo, o baixo consumo dos brasileiros também está relacionado aos hábitos culturais da população. “No Norte e no Nordeste a mandioca é mais comum. Além disso, muitas pessoas estão deixando de consumir porque acham que o glúten [proteína presente no trigo] faz mal à saúde. Na verdade, a única restrição é para pessoas que têm intolerância ao glúten”, explica.

Fonte: BrasilAgro

Biofortificação aumenta nutrição das sementes

Mais uma participante da LACC3 desde ano, a pesquisadora da Embrapa Agroindústria de Alimentos, Marília Nutti, contou como essa nova tecnologia eleva os teores de vitamina A, ferro e zinco, o que ajuda no combate a doenças como a anemia e a cegueira noturna. Confira uma pequena entrevista feita com a pesquisadora:
shutterstock_94940524
Como ocorre o processo de aumento do conteúdo de micronutrientes das sementes?
A biofortificação consiste em um processo de cruzamento de plantas da mesma espécie, gerando cultivares mais nutritivos. Nesse processo não ocorre a incorporação de genes de outro organismo ao genoma da planta (transgenia). É necessário realizar repetidos cruzamentos até atingir o cultivar melhorado desejado.Como é a viabilização comercial do projeto?
A partir do convênio firmado com instituições públicas, principalmente prefeituras, ramas e sementes biofortificadas são repassadas a agricultores responsáveis por realizar uma multiplicação desse material, ocasionando em uma futura venda dos alimentos para a alimentação escolar, através de programas como o PAA e o PNAE.

O custo da tecnologia vale o benefício na hora da venda do produto?
Os cultivares biofortificados vêm para serem alternativas aos cultivares convencionais com relação ao mercado de consumo. Além de possuírem altos índices de produtividade, são também de fácil adaptação, possuindo bons resultados de colheita, com safras acima da média mesmo enfrentado adversidades como chuva, seca e doenças.

Qual o ganho em produzir alimentos biofortificados?
As experiências com essas novas variedades mostram que os consumidores preferem alimentos biofortificados. Isso por apresentarem um gosto mais doce e mais macio. A coloração característica de cada um também é outro atrativo. Os estudos apontam que os consumidores que sabem da quantidade rica de micronutrientes presentes nos biofortificados tendem a ficar mais dispostos a consumir esses alimentos.

Semente biofortificada aumenta o rendimento da lavoura?
Pesquisas demonstram que altos níveis de ferro, zinco e pró-vitamina A em sementes contribuem para a nutrição da própria planta, gerando uma produtividade maior.

Como está o desenvolvimento desta tecnologia no Brasil? E no Paraná?
A prioridade é Maranhão e Sergipe. Esta seleção não foi aleatória, uma vez que estes estados apresentam os mais baixos Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do país. No Paraná, as ações estão concentradas em Cascavel, onde materiais biofortificados são repassados a produtores e multiplicadores.

Existe plano de introduzir a tecnologia na soja?
O foco está no melhoramento de alimentos que compõem a cesta básica de regiões com índices consideráveis de deficiência alimentar.

É irresponsável demonizar o glúten, diz pesquisadora espanhola

Concha Collar é enfática: quem não é celíaco não deve deixar de consumir produtos com glúten!

shutterstock_1413206

A pesquisadora Concha Collar, do Instituto de Agroquímica y Tecnología de Alimentos (IATA), um órgão ligado ao governo da Espanha, esteve em Curitiba para participar do LACC3.

Concha falou, exclusivamente, sobre as opções de cereais existentes hoje, disponíveis para a substituição do glúten, porém, deixou claro que a demonização do glúten é apenas um apelo de marketing. “É irresponsável dizer que o glúten faz mal ou é prejudicial à saúde. Ele o é apenas para as pessoas que têm a doença celíaca, que representam, na maioria dos casos, 1% da população. Em alguns países, chega a 10%, mas é um número pequeno de pessoas que precisam de produtos que não contenham o glúten”, destaca.

A pesquisadora é uma das referências mundiais nesta linha de pesquisa e vai além. “O glúten é responsável por deixar o pão, as massas, com o sabor e consistência que gostamos, que estamos acostumados. Retirá-lo totalmente não só é difícil, como também é um desafio para a indústria de alimentos, que ainda não conseguiu chegar ao sabor, consistência e manter um preço semelhante. Requer muitos investimentos, tanto em pesquisa, quanto em redução de tempo e custos de produção. Por isso, muita gente diz que os produtos sem glúten são caros e não acessíveis, além não serem tão saborosos, macios e ‘pesam’ mais no estômago”, relata.

Concha reforça a preocupação com os modismos em criar vilões na alimentação. “O trigo alimenta a humanidade há milhares de anos. Como todos os alimentos, algumas pessoas podem adquirir uma alergia ou intolerância, depende de cada organismo, mas não há que criar pânico na alimentação. Quem não é celíaco pode e deve continuar se alimentando com produtos que têm glúten sem risco algum”, explica.

“O que buscamos, hoje, é incrementar os alimentos industrializados, como pães, massas, biscoitos, entre outros, com mais vitaminas. Esse enriquecimento nutricional tem como objetivo deixar a alimentação mais completa, sem que as pessoas precisem modificar muito sua rotina, sem a preocupação de consumir suplementos alimentares. É isso que buscamos, que o pão nosso de cada dia possa trazer o mesmo sabor e ainda mais nutrientes para a mesa das pessoas”, comenta.

A pesquisadora reforça a preocupação, também, com a produção de alimentos para abastecer toda a cadeia alimentar. “Sabemos que o mundo pode ficar deficitário na questão alimentar, em alguns anos, com previsão de falta de comida para todos. É importante que as indústrias estejam preparadas para fornecer produtos cada vez mais enriquecidos nutricionalmente e que, com isso, consigamos consumir menos, comer porções menores, mas com alto teor nutricional”, preconiza.

“Criar um produto que imite o trigo é um grande desafio. Pra substituí-lo, temos que acrescentar outros componentes, vitaminas, minerais. Hoje, pesquisamos outros cereais, como milho, quinoa, sorgo, que são muito nutritivos, muito ricos em vitaminas, e não contêm glúten, mas por enquanto têm uma aceitação baixa ou moderada pela população” conclui.

 

Fonte: Gourmet Virtual

Saiu na mídia: economia do agronegócio de cereais é tema de conferência na LACC3 2015.

saco melhor

Pesquisadores da FIPE, FEA/USP, UFPR e FDC falam sobre a inflação, impostos e custos de produção do setor no Brasil, em evento que ocorre de 29 de março a 1º de abril no ExpoUnimed, em Curitiba.

A economia brasileira cresceu, em média, menos de 2% por ano, em um passado recente, diante desse cenário, as contas públicas têm se deteriorado significativamente. A indústria não tem crescido e o mercado de trabalho mostra sinais de saturação. Mesmo com esta realidade, o setor agrícola e do mercado de alimentos obtiveram resultados muito melhores do que o resto da economia, com taxas médias de crescimento de quase o dobro da média da economia. O setor de agronegócios com cereais se inclui neste contexto, e é tema de discussão da LACC3 – Latin American Cereal Conference Brazil 2015 deste ano, que ocorre entre 29 de março e 1º de abril na ExpoUnimed, em Curitiba.

Pesquisadores das principais universidades e instituições do Brasil foram convidados para apresentar seus conhecimentos na área. “O consenso é de que a política monetária em 2015 deve ser restritiva, para conduzir a inflação para o centro da meta”, afirma André Chagas, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE). “A condução da política monetária deve contribuir para reduzir a pressão sobre os preços dos alimentos, principalmente de produtos manufaturados, e 2015 deve ser um ano de resultados menos otimistas do que os anteriores.”

Para falar sobre a economia geral da alimentação e da nutrição, Denise Cavallini Cyrillo, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP), traçará um panorama da organização de recursos como base da sobrevivência humana. Através de dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), ela explica que houve uma mudança nas causas de mortes dos seres humanos, desde a década de 60. “No Brasil, as doenças não transmissíveis foram responsáveis por 75% de todas as mortes, enquanto no Canadá foi de 89%, e na África Subsaariana, 44%. Segundo a OMS, esta situação é resultado, em grande parte, das transformações socioeconômicas das últimas décadas que levaram a população para um estilo de vida baseado em uma dieta pouco saudável, sedentarismo, tabagismo e uso de álcool exagerado”, explica Denise. “Historicamente, temos visto o surgimento de produtos mais saborosos, mas de qualidade nutricional questionável. A questão é: como podemos contribuir para melhorar a qualidade de alimentação da população brasileira?”

José Roberto Fernandes Canziani, do Departamento de Economia Rural e Extensão da Universidade Federal do Paraná (DERE/UFPR), falará sobre a produção de trigo no Brasil e no mundo, e Maria Sylvia Macchione Saes, da Universidade de São Paulo (USP), sobre transformações no mercado de cereais e suas relações com a indústria alimentícia. Maria Helena Zockun, da FIPE, e Paulo Rezende, da Fundação Dom Cabral, completam a lista de convidados e falarão a respeito dos impostos no mercado de cereais e os custos logísticos dos agronegócios no país.

Fonte: Assessoria de Imprensa LACC3

LACC3 2015, fique por dentro!

 

01-e33cbfbc

Ainda nāo se inscreveu na LACC3 2015? Entāo nāo perca tempo!

http://lacc3brazil.com/inscricoes/